{"id":340,"date":"2015-11-16T13:34:59","date_gmt":"2015-11-16T13:34:59","guid":{"rendered":"http:\/\/revistacentro.org\/?page_id=340"},"modified":"2015-12-16T13:16:57","modified_gmt":"2015-12-16T13:16:57","slug":"fau","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/fau\/","title":{"rendered":"FAU EM RU\u00cdNAS &#8211; O edif\u00edcio de Artigas desfigurado"},"content":{"rendered":"<div id=\"x-section-1\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 45px 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/1.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h1>FAU EM RU\u00cdNAS<\/h1>\n<\/div><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3><span style=\"color: #808080;\">O edif\u00edcio de Artigas desfigurado<\/span><\/h3>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 15px 0 0 0;\"><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h6>TEXTO <span style=\"color: #808080;\">GABRIEL KOGAN<\/span><\/h6>\n<h6>FOTOS PB <span style=\"color: #808080;\">CLARA WERNECK<\/span><\/h6>\n<h6>FOTOS COLORIDAS\u00a0<span style=\"color: #808080;\">RAFAEL CRAICE<\/span><\/h6>\n<h6>COLABORA\u00c7\u00c3O\u00a0<span style=\"color: #808080;\">RODRIGO VILLELA<\/span><\/h6>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 3px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p style=\"text-align: left;\">Jo\u00e3o Batista Vilanova Artigas \u2013 um dos maiores mestres da arquitetura moderna brasileira \u2013 teria completado 100 anos em junho de 2015. Mas h\u00e1 pouco o qu\u00ea comemorar. Sua obra-prima, o edif\u00edcio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, hoje \u00e9 um <em>assemblage <\/em>de diferentes reformas, executadas desordenadamente e sem unidade.<\/p>\n<p>O pr\u00e9dio da FAU foi alterado nas \u00faltimas d\u00e9cadas sem um projeto amplo de restauro para integrar as interven\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o de mais de 21.000m\u00b2. Ou seja, a pr\u00f3pria Faculdade de Arquitetura reformou o maior patrim\u00f4nio arquitet\u00f4nico moderno de S\u00e3o Paulo seguindo a l\u00f3gica do puxadinho: uma obra aqui, outra acol\u00e1, como se constr\u00f3i a periferia das cidades.<\/p>\n<p>A \u00faltima reforma \u2013 completada no in\u00edcio de 2015 \u2013 consumiu 9 milh\u00f5es de reais de dinheiro p\u00fablico. Se por um lado a cobertura p\u00f4de ser reimpermeabilizada para estancar goteiras que atormentavam usu\u00e1rios do pr\u00e9dio; a fachada foi grotescamente remendada, mesmo depois de insistentes alertas \u2013 ignorados durante o processo \u2013 de estudantes, arquitetos e professores.<\/p>\n<p>Apesar do desprezo pela pr\u00f3pria casa, a import\u00e2ncia arquitet\u00f4nica da FAU \u00e9 inquestion\u00e1vel. Ao visitar o edif\u00edcio nos anos 90, o arquiteto portugu\u00eas \u00c1lvaro Siza fez uma bem-humorada autocr\u00edtica: \u201cAgora entendi como desenhar uma escola\u201d, em refer\u00eancia a seu projeto da faculdade de arquitetura na cidade do Porto. Em 2008, o fot\u00f3grafo Yukio Futagawa, que revelou nomes como Tadao Ando, se desfez de sua frieza nip\u00f4nica: \u201cFiquei emocionado com o projeto\u201d.<\/p>\n<p>O professor e pr\u00eamio Pritzker Paulo Mendes da Rocha, j\u00e1 em 2006, sintetizava a hist\u00f3rica desfigura\u00e7\u00e3o e antevia as violentas disputas pol\u00edticas e est\u00e9ticas em torno do restauro do projeto de Artigas nos anos seguintes: \u201c\u00c9 ruim para essa escola n\u00e3o ser entendida por ela mesma\u201d.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-3\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: px 0px 0px; width: 100%;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/2.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>O concreto \u00e9 pol\u00edtico e est\u00e1 armado<\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>A arquitetura brutalista de Artigas na FAU materializava tanto a reformula\u00e7\u00e3o do ensino da faculdade \u2013 capitaneada por ele no in\u00edcio dos anos 60 \u2013 como o pensamento pol\u00edtico vinculado aos ideais da esquerda. Atuante no Partido Comunista desde 1945, o arquiteto fazia projetos que impunham desafios aos modos de vida burgueses enraizados em privacidade e conforto. Lina Bo Bardi, analisando as obras residenciais, imbu\u00eddas dos mesmos ideais, resumiu: \u201cCada casa de Artigas quebra todos os espelhos do sal\u00e3o burgu\u00eas\u201d.<\/p>\n<p>As disputas em torno do edif\u00edcio da FAU est\u00e3o na g\u00eanese da hist\u00f3ria do projeto da faculdade na Cidade Universit\u00e1ria, no Butant\u00e3 em S\u00e3o Paulo. Antes mesmo de existir, o pr\u00e9dio j\u00e1 era objeto de conflitos rebatidos na arquitetura, com a pol\u00edtica nacional impregnando o concreto. Projetado em 1961, o edif\u00edcio (tamb\u00e9m assinado por Carlos Cascaldi) soava como uma ant\u00edtese dos valores depois defendidos pelo governo militar p\u00f3s-64: \u201cPensei-o como a espacializa\u00e7\u00e3o de democracia, em espa\u00e7os dignos, sem portas de entrada, porque o queria como um templo, onde todas as atividades s\u00e3o l\u00edcitas\u201d, dizia Artigas. O Sal\u00e3o Caramelo \u2013 com mais de 1.000m\u00b2 de pra\u00e7a coberta no meio do edif\u00edcio \u2013 expressava esses ideais.<\/p>\n<p>Os generais n\u00e3o queriam saber de atos libert\u00e1rios, nem de espa\u00e7os livres para aglomera\u00e7\u00f5es. Em 1966, atas da reitoria registravam desconfian\u00e7a sobre o projeto, propondo reexaminar as \u201cgrandes \u00e1reas livres, jardins cobertos e outras ociosas\u201d. Mesmo com as controv\u00e9rsias, o desenho vingou e Artigas imp\u00f4s um ritmo forte \u00e0 Construtora Riskalla, para evitar novas encrencas com o regime.<\/p>\n<p>Mas a FAU n\u00e3o deveria ter vindo sozinha e sim como parte de um sistema urban\u00edstico no campus, o chamado \u201ccorredor das humanas\u201d: uma avenida de faculdades onde os estudantes poderiam cruzar todos os edif\u00edcios a p\u00e9, dissolvendo barreiras e controles. Cada pr\u00e9dio tinha a autoria de arquitetos referenciais da Escola Paulista, como Carlos Milan, Joaquim Guedes e Paulo Mendes da Rocha; seria a express\u00e3o de um movimento. O projeto do corredor foi por \u00e1gua abaixo com o endurecimento da ditadura, restando apenas, al\u00e9m da FAU, um mal constru\u00eddo edif\u00edcio da\u00a0Hist\u00f3ria e Geografia da FFLCH.<\/p>\n<p>A FAU ficou pronta em fevereiro de 1969, tr\u00eas meses depois do Ato Institucional n\u00ba 5. Em abril do mesmo ano, o arquiteto \u2013 que j\u00e1 havia sido preso por doze dias e exilado no Uruguai por seis meses, em 1964 \u2013 foi cassado como professor na USP e afastado do trabalho (no edif\u00edcio por ele projetado). Artigas s\u00f3 voltou para a faculdade em 1984, com o fim da ditadura, recontratado como professor assistente; seis meses depois morreu e nunca recebeu o t\u00edtulo doutor honoris causa, v\u00e1rias vezes negado nos anos 80.<\/div><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-5\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: px 0px 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/1.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-6\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: px 0px 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/1craiceA.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>Projetando ru\u00ednas<\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>As polariza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas se atualizaram no Brasil democr\u00e1tico e foram transpostas para o \u00e2mbito da descaracteriza\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio: \u201cDesde que existe e \u00e9 o paradigma de certa arquitetura, o edif\u00edcio tem seus inimigos, que n\u00e3o querem que esse seja o legado paulista para a hist\u00f3ria da arquitetura; querem mesmo \u00e9 ver o pr\u00e9dio no ch\u00e3o\u201d, sintetiza Silvio Oksman, com mestrado sobre a preserva\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos primeiros anos, a burocracia universit\u00e1ria, em sua \u00e2nsia por espa\u00e7os, come\u00e7ou a criar puxadinhos no edif\u00edcio. As obras, sem dialogar entre si, invadiram os espa\u00e7os deixados vazios por Artigas. Nos anos 80, a continuidade espacial entre a pra\u00e7a interna e o jardim \u2013 entrada do \u201ccorredor das humanas\u201d \u2013 foi mutilada com a instala\u00e7\u00e3o de salas administrativas. A mudan\u00e7a soou como provoca\u00e7\u00e3o: o fechamento da entrada acrescentava meros 180m2 \u00e0 gigantesca constru\u00e7\u00e3o. Por outro lado, cerceava rotas de fuga, facilitando o s\u00edtio do local, num movimento contr\u00e1rio aos princ\u00edpios da arquitetura. Logo depois, para enterrar qualquer possibilidade de f\u00e1cil reabertura da passagem, um grande buraco foi cavado no exterior, supostamente para abrigar uma m\u00e1quina de ar-condicionado nunca instalado.<\/p>\n<p>Em 1997, veio outro golpe: a gr\u00e1fica e as marcenarias de maquete, originalmente no interior do pr\u00e9dio, foram realocadas em um anexo lateral, numa constru\u00e7\u00e3o de Gian Carlo Gasperini, bastante criticada pelos estudantes por parecer um galp\u00e3o industrial, pouco acolhedor. Surgiram laborat\u00f3rios de pesquisa fechados, delimitados por divis\u00f3rias baratas vendidas em lojas de material de constru\u00e7\u00e3o, \u201csolu\u00e7\u00f5es tolas de idiossincrasias individuais de quem diz \u2018eu preciso disso, uma divis\u00f3ria\u2019\u201d, como criticou Mendes da Rocha.<\/p>\n<p>Os anos 90 tamb\u00e9m assistiram \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o, entre os v\u00e3os do pr\u00e9dio, de estruturas em madeira e telha de zinco, rapidamente apelidadas de \u201cfavelinhas\u201d. As salas de 50 metros quadrados engoliram \u00e1reas livres concebidas para integra\u00e7\u00e3o de alunos de diferentes anos. Em 2002, os estudantes, assumindo o paradoxal papel de guardi\u00f5es da arquitetura, desafiaram a interven\u00e7\u00e3o com picha\u00e7\u00f5es. A ent\u00e3o diretora Maria Ruth Sampaio amea\u00e7ou com sindic\u00e2ncias internas os envolvidos na \u201cdepreda\u00e7\u00e3o\u201d. As \u201cfavelinhas\u201d foram removidas apenas em 2008, ap\u00f3s press\u00e3o de alguns professores como Antonio Carlos Barossi. <\/p>\n<p>A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o nessa desastrada sequ\u00eancia de interven\u00e7\u00f5es foi a da biblioteca, no final dos anos 90, que conferiu versatilidade \u00e0s instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas e melhorou o conforto dos usu\u00e1rios, com um novo mobili\u00e1rio. Feita pelo Escrit\u00f3rio Piratininga, a reforma mostrou naquele momento \u2013 mesmo em um espa\u00e7o isolado, pensado sem rela\u00e7\u00e3o com os demais \u2013 a possibilidade de alterar o espa\u00e7o sem destru\u00ed-lo, respeitando a fluidez espacial.<\/p>\n<p>Todos os diretores da faculdade empurraram com a barriga os graves problemas que se amontoavam. Entre 1999 e 2007, alguns m\u00f3dulos da cobertura foram lixados e impermeabilizados. Apesar dos altos custos (\u201cum Fusca por m\u00f3dulo de 8 metros quadrados\u201d, como se dizia), os resultados foram infrut\u00edferos. Antes de conclu\u00edda a metade da cobertura, os primeiros m\u00f3dulos voltavam a apresentar problemas. O processo nunca foi terminado.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o chegou ao fundo do po\u00e7o no final da d\u00e9cada de 2000, quando ningu\u00e9m conseguia garantir a estabilidade da cobertura. Placas de concreto da treli\u00e7a das vigas despencavam nos est\u00fadios, no pen\u00faltimo andar. As infiltra\u00e7\u00f5es na laje transformaram a cobertura, j\u00e1 infestada por cupins, numa piscina com 500 mil litros de \u00e1gua entre as vigas. O l\u00edquido, acumulado no \u201ccaix\u00e3o perdido\u201d \u2013 o vazio dentro da estrutura \u2013, dissolvia as f\u00f4rmas de madeira, por l\u00e1 desde a constru\u00e7\u00e3o. Surgiram goteiras, que formaram estalactites e estalagmites.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-8\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 45px 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/craice2.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>Faculdade em guerra<\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>Em 2007, Sylvio Sawaya elegeu-se diretor da faculdade. Professor de projeto, era conhecido pelo discurso habilidoso e por fortes conex\u00f5es pol\u00edticas no governo tucano do Estado de S\u00e3o Paulo, para o qual desenhou a USP Zona Leste. Em sua campanha, descartando os estudos, prop\u00f4s, em vez da custosa reimpermeabiliza\u00e7\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o de uma sobrecobertura. Ou seja: uma nova estrutura no exterior do edif\u00edcio, cobrindo-o por completo. A ideia foi estimulada pelo mesmo Gian Carlo Gasperini. Al\u00e9m da interfer\u00eancia est\u00e9tica, temia-se que a adi\u00e7\u00e3o de mais carga afetasse a estrutura de 40 anos, j\u00e1 com trincas. Desde gest\u00f5es anteriores como de Julio Katinsky (1995-1998), obras adicionaram novas camadas de impermeabilizantes \u00e0 cobertura, al\u00e9m de tijolos e massas para melhorar o caimento da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Sawaya, por sua vez, defendia a sobrecobertura como vi\u00e1vel e sutil, al\u00e9m de \u00fatil; em um dos raros esclarecimentos p\u00fablicos, para a revista estudantil TJL em 2009, o diretor explicou o projeto, minimizando a import\u00e2ncia visual da cobertura e destacando outras vantagens indiretas da interven\u00e7\u00e3o: \u201cO problema n\u00e3o \u00e9 alterar o Artigas em um elemento que, no fundo, estava em cima, que n\u00e3o atrapalha esteticamente em nada. N\u00e3o atrapalha. N\u00e3o atrapalha a luz&#8230; Pelo contrario, melhora som, melhora poeira, eventualmente at\u00e9 o conforto t\u00e9rmico possa ser melhor trabalhado\u201d.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre estudantes e diretor azedou desde o primeiro ano do mandato, por raz\u00f5es outras que n\u00e3o as reformas do edif\u00edcio. A greve da USP em 2007 foi violenta: Jos\u00e9 Serra, ent\u00e3o governador, transformou a Secretaria de Turismo em Secretaria de Ensino Superior, amea\u00e7ando a autonomia universit\u00e1ria. A reitoria foi ocupada por 51 dias, a USP n\u00e3o sa\u00eda dos jornais e Sawaya se colocou como principal opositor ao movimento grevista. Juristas como Dalmo Dallari, por\u00e9m, consideraram inconstitucionais os decretos do governador, que acabou voltando atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Durante o conturbado processo, o Movimento Nega\u00e7\u00e3o da Nega\u00e7\u00e3o (MNN), trotskista, quis invadir a burocacria da FAU. A diretoria, amea\u00e7ada, retomou uma diretriz da reitoria da universidade \u2013 alinhada com a dire\u00e7\u00e3o da faculdade \u2013 e partiu para o ataque, mirando o \u00fanico ativo do gr\u00eamio: o aluguel da lanchonete, do xerox, da papelaria e da livraria. Ainda que esses servi\u00e7os ocupassem constru\u00e7\u00f5es de madeira em locais antes vazios, no piso do museu, o problema parecia ser de ordem jur\u00eddica, n\u00e3o arquitet\u00f4nica. A diretoria afirmava ser ilegal esse usufruto, mesmo com a cess\u00e3o hist\u00f3rica desse pavimento aos alunos. Para piorar, funcion\u00e1rios reivindicavam um lote para uma loja de lingerie, o que faria daquela \u00e1rea um verdadeiro camel\u00f3dromo.<\/p>\n<p>Enquanto isso, os projetos de reforma caminhavam longe dos olhos do p\u00fablico. A faculdade organizava homenagens a Vilanova Artigas, como a de novembro de 2007, quando foi inaugurada uma placa de vidro com a assinatura do arquiteto. Durante o evento, no exato momento de abertura da placa, estudantes jogaram sobre os presentes pap\u00e9is picados nos quais se lia \u201cArtigas morreu de desgosto\u201d. Uma refer\u00eancia tanto ao estado do pr\u00e9dio, como ao processo seletivo a que o arquiteto, meses antes de sua morte, teve de se submeter, quando foi recontratado como auxiliar de ensino depois da cassa\u00e7\u00e3o durante a ditadura. A mesma placa foi quebrada durante a tradicional Festa do Equador, organizada por estudantes, e depois reposta.<\/p>\n<p>Ainda em 2007, peda\u00e7os de concreto que se desprendiam do teto obrigaram a dire\u00e7\u00e3o \u2013 sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Claudia Terezinha de Andrade Oliveira \u2013 a instalar telas azuis amarradas no topo dos pilares, encobrindo a ilumina\u00e7\u00e3o natural zenital. A tela, imposs\u00edvel de ser higienizada, logo ficou imunda; insalubre, o ambiente foi infestado por pombos. As aulas, por\u00e9m, n\u00e3o foram interrompidas. Usando uma solu\u00e7\u00e3o f\u00e1cil, a dire\u00e7\u00e3o tentou instalar espetos anti-pombos em beirais para afugentar os animais, mas eles n\u00e3o arredaram dos voos pelo promenade arquitet\u00f4nico.<\/p>\n<p><p>\u201cNenhum edif\u00edcio aguenta tantas d\u00e9cadas sem manuten\u00e7\u00e3o estrutural\u201d, constata Claudia, engenheira de forma\u00e7\u00e3o, que tem acompanhado as obras desde os anos 2000. O concreto, aparentemente de grande resist\u00eancia, mas muito poroso, \u00e9 um material vivo, um bicho que requer cuidados, como dizia Lina Bo Bardi. <\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-10\" class=\"x-section bg-image parallax\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; height:35vh; background-image: url(https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/craice8a.jpg); background-color: transparent;\" data-x-element=\"section\" data-x-params=\"{&quot;type&quot;:&quot;image&quot;,&quot;parallax&quot;:true}\"><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: px 0px 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 0px 0 0 0;\"><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container justify-text  max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0 px 0px 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" >&nbsp;<\/div><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" >&nbsp;<\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>A situa\u00e7\u00e3o se acirrou ainda mais entre 2008 e 2009. A cada m\u00eas, professores e alunos eram surpreendidos com novas interven\u00e7\u00f5es. Os projetos come\u00e7avam sem discuss\u00f5es internas ou aprova\u00e7\u00e3o nos \u00f3rg\u00e3os de patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, como pede a lei. Em tese, o Departamento do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico (DPH), no \u00e2mbito municipal, e o Conselho de Defesa do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico Arqueol\u00f3gico, Art\u00edstico e Tur\u00edstico (Condephaat), estadual, zelam pela preserva\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio: qualquer mudan\u00e7a na arquitetura precisa receber a aprova\u00e7\u00e3o de seu corpo t\u00e9cnico. \u201cQuando cheg\u00e1vamos l\u00e1 para avaliar os projetos, as obras j\u00e1 tinham come\u00e7ado ou estavam prontas\u201d, lembra uma arquiteta do DPH que pede para n\u00e3o ser identificada.<\/p>\n<p>Nada impediu, portanto, a diretoria de destruir uma escada de concreto na entrada e criar outra, em madeira, desconfort\u00e1vel ao ignorar a f\u00f3rmula de Blondel, matem\u00e1tica b\u00e1sica para definir a altura de um degrau. Logo depois uma rampa tamb\u00e9m em madeira, com guarda-corpo que remete a arquitetura rural de chal\u00e9s, foi instalada ao lado. Com J\u00falio Maia \u2013 professor que tinha seu laborat\u00f3rio nas antigas favelinhas \u2013, Sawaya redesenhou setores administrativos, autoconvocado-se por uma carta-convite emitida pela diretoria da qual era o diretor. O projeto n\u00e3o removeu as salas da frente da antiga entrada e a execu\u00e7\u00e3o total custou 150 mil reais.<\/p>\n<p>Os departamentos foram refeitos por 660 mil reais. O projeto de Paulo Bruna recuava as paredes para o alinhamento original, por\u00e9m as novas divis\u00f3rias, em alum\u00ednio, emulavam as antigas de a\u00e7o. A diferen\u00e7a? Os caixilhos executados quarenta anos antes pareciam muito mais leves e elegantes. As instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas \u2013 deixadas por \u00faltimo nessa reforma, como se tivessem sido esquecidas pelo projeto \u2013 passaram por pesados condu\u00edtes que desceram para as mesas como novos pilares. A mesma solu\u00e7\u00e3o de pilar-falso para fios e cabos foi repetida na entrada da biblioteca, reformada menos de 10 anos antes e que contava com um inteligente sistema de descida de instala\u00e7\u00f5es, desprezado na nova interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nem tudo era t\u00e3o controverso: 660 mil reais serviram para recuperar as arma\u00e7\u00f5es enferrujadas das vigas da cobertura, medida necess\u00e1ria e urgente, e com outros 81 mil reais abriu-se as colunas para manuten\u00e7\u00e3o das prumadas de \u00e1guas pluviais \u2013 em uma obra nunca conclu\u00edda j\u00e1 que os elementos pr\u00e9-moldados, pensados para fechar os pilares, n\u00e3o foram instalados at\u00e9 hoje. Pouco depois, ao custo de 1,5 milh\u00e3o de reais, os banheiros come\u00e7aram a ser reformados. Hoje, passados anos, j\u00e1 est\u00e3o em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Diferentes interven\u00e7\u00f5es, tocadas por arquitetos escolhidos pela diretoria, n\u00e3o consideraram o conjunto do pr\u00e9dio. Corriam rumores a respeito do andamento da sobrecobertura \u2013 or\u00e7ada em 3,5 milh\u00f5es de reais. Os \u00f3rg\u00e3os do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico n\u00e3o haviam sido notificados at\u00e9 o in\u00edcio de 2009, como de costume.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-12\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 45px 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/guerras.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>O cheiro do jardim<\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>E ent\u00e3o veio o jardim. Assinado por Silvio Macedo, professor da FAU, utilizava esterco da Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria, ent\u00e3o chamado como um novo tipo de superfertilizante desenvolvido na USP, cujo fedor era percept\u00edvel a mais de 500 metros. A falta de consenso pol\u00edtico e est\u00e9tico aliada ao mau humor coletivo causado pelo odor de enxofre isolaram a diretoria, que recebeu apoio apenas do vice-diretor, Marcelo Romero, e outros poucos professores, como Jo\u00e3o Bezerra, Cl\u00e1udio Portugal e Paulo Bruna. <\/p>\n<p>Mesmo confrontado, Sawaya n\u00e3o estava disposto a recuar. N\u00e3o ocupava, por\u00e9m, o topo da hierarquia de poder da faculdade. Segundo o\u00a0estatuto da USP, acima dele havia a Congrega\u00e7\u00e3o, esp\u00e9cie de Congresso da faculdade, at\u00e9 ent\u00e3o omissa sobre as reformas. Estudantes e arquitetos insatisfeitos passaram a pressionar a entidade, composta por aproximadamente 45 professores \u2013 sobretudo titulares e livre-docentes, com diferentes orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Reuni\u00f5es a portas fechadas foram substitu\u00eddas por grandes assembleias que deliberaram a elabora\u00e7\u00e3o de um Plano Diretor Participativo, com diretrizes de ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. Entre a ideia de um plano at\u00e9 sua aprova\u00e7\u00e3o final, em novembro de 2012, passaram-se tr\u00eas anos. Pela primeira vez na hist\u00f3ria da USP, um \u00f3rg\u00e3o oficial, o Conselho Curador, foi presidido por um estudante, Fernando T\u00falio. Uma das falas p\u00fablicas de Alexandre Delijaicov \u2013 professor com grande influ\u00eancia nos alunos \u2013 tornou-se uma bandeira do momento pol\u00edtico: \u201cmuita gente diz gostar do Artigas, mas na verdade odeia\u201d.<\/p>\n<p>O documento final do Plano, com 40 p\u00e1ginas, apresentou indica\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas sobre o uso do espa\u00e7o e recomenda\u00e7\u00f5es sobre metodologias para processos pol\u00edticos internos, sem sugerir solu\u00e7\u00f5es de projeto. Um ex-estudante \u2013 que pediu para n\u00e3o ser identificado \u2013 acusou o Conselho Curador aberto de ser uma bomba de fuma\u00e7a para legitimar, dentro de um processo dito democr\u00e1tico, obras j\u00e1 conclu\u00eddas ou em execu\u00e7\u00e3o. Por causa da longa dura\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o do plano, os representantes discentes nesse conselho \u2013 uma vez formados \u2013 foram praticamente todos substitu\u00eddos e os novos \u201cpodiam ser facilmente manipul\u00e1veis por desconhecerem a hist\u00f3ria das discuss\u00f5es\u201d, segundo o ex-aluno. <\/p>\n<p><p>Mesmo assim, Beatriz K\u00fchl, uma das maiores autoridades em restauro no Brasil e professora da faculdade, ressalta a import\u00e2ncia do plano: \u201cLan\u00e7ou uma discuss\u00e3o coletiva e mobilizou a todos; as pessoas pararam para pensar no edif\u00edcio da FAU e criaram diretrizes de como dever\u00edamos trabalhar\u201d.<\/p>\n<p>Sawaya convidou Pedro Paulo de Melo Saraiva \u2013 arquiteto da Escola Paulista \u2013 para <a href=\"http:\/\/www.vitruvius.com.br\/revistas\/read\/projetos\/09.101\/2957\" target=\"_blank\">reelaborar seu projeto de sobrecobertura (ver link)<\/a>, numa \u00faltima tentativa de n\u00e3o morrer na praia. No entanto, o mandato do diretor expirou e recolocou o edif\u00edcio no centro dos debates. Pela primeira vez atacava-se sistematicamente a recupera\u00e7\u00e3o da cobertura, para a qual a faculdade dispunha de cerca de 10 milh\u00f5es de reais. \u201cEu estava na sala quando vi o Sylvio Sawaya conseguindo o dinheiro junto ao Jo\u00e3o Grandino Rodas\u201d, disse Marcelo Romero, sobre o reitor, depois acusado de onerar a folha de pagamento da universidade.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m queria o posto de diretor. Apenas seis de mais de duas d\u00fazias de professores eleg\u00edveis n\u00e3o renunciaram de imediato \u00e0 indica\u00e7\u00e3o. \u201cEu disse para o Sylvio que queria continuar o que come\u00e7amos\u201d, lembra Romero. Assim foi, para al\u00edvio de alguns professores e inquieta\u00e7\u00e3o dos estudantes e admiradores do Brutalismo Paulista. Al\u00e9m do impasse pol\u00edtico havia em curso um processo participativo e o edif\u00edcio apresentava, cada vez mais, amea\u00e7as aos usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>A imagem pessoal de Romero contrastava com a do antecessor. Jovial, expansivo e pr\u00e1tico, ele ficou conhecido por seus belos desenhos t\u00e9cnicos \u00e0 m\u00e3o livre como professor no Departamento de Tecnologia. Com pedras despencando do c\u00e9u, um cheque assinado pelo reitor e o impasse est\u00e9tico do rumo das reformas, Romero agiu como gestor, n\u00e3o como cr\u00edtico de arquitetura, e elaborou um edital p\u00fablico para recuperar \u2013 tecnicamente \u2013 a cobertura: a precariedade do edif\u00edcio colocava as pessoas em perigo e havia verba, com prazo de validade, para corrigir essa condi\u00e7\u00e3o. As propostas da sobrecoberta da gest\u00e3o anterior foram recha\u00e7adas.<\/p>\n<p>As interven\u00e7\u00f5es mais amplas j\u00e1 realizadas no edif\u00edcio estavam prestes a come\u00e7ar. Mas como?<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-14\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 45px 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/craice3.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>Sem projeto<\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>Permanecia um problema b\u00e1sico. \u201cN\u00e3o havia projeto\u201d, constata Rosa Artigas, historiadora e filha do arquiteto. \u201cTentei conseguir desenhos para enviar a especialistas na It\u00e1lia. Depois de semanas, descobri s\u00f3 um memorial descritivo\u201d. Claudia Terezinha Oliveira n\u00e3o pensa diferente: \u201cFaltou projeto de restauro, e at\u00e9 um as built\u201d, ou seja, um levantamento detalhado, com medidas constru\u00eddas e o estado de conserva\u00e7\u00e3o de cada canto. Etapas da obra foram queimadas logo de in\u00edcio. Beatriz K\u00fchl segue no mesmo caminho: \u201cN\u00e3o houve um plano geral de interven\u00e7\u00e3o, tampouco um levantamento m\u00e9trico que reverteria numa obra mais precisa e menos cara\u201d.<\/p>\n<p>Romero entende o conjunto de interven\u00e7\u00f5es das diferentes administra\u00e7\u00f5es como um projeto de arquitetura. \u201cEst\u00e1 tudo l\u00e1, nos cadernos distribu\u00eddos para a comunidade\u201d, diz, referindo-se \u00e0s apostilas contendo as interven\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos seis anos. Mas quem \u00e9 o autor desse projeto? \u00c9 uma autoria coletiva? \u201cEu n\u00e3o sei responder a essa pergunta\u201d, respondeu o ent\u00e3o diretor.<\/p>\n<p>Todo projeto de arquitetura precisa de autoria, inclusive para responsabilidades legais. Mais do que isso: o autor organiza as atividades e d\u00e1 unidade ao conjunto. \u201cOs projetos foram encaminhados por partes \u2013 reforma do sanit\u00e1rio, do Sal\u00e3o Caramelo, da cobertura. Solicitamos \u00e0 FAU que protocolasse uma vis\u00e3o \u00fanica das altera\u00e7\u00f5es dentro do pr\u00e9dio\u201d, lembra Marco Antonio Winther, arquiteto do DPH da prefeitura paulistana. Tal medida nunca foi providenciada.<\/p>\n<p>Durante as assembleias abertas de 2009, cogitou-se o nome de Paulo Mendes da Rocha, que al\u00e9m de disc\u00edpulo de Artigas trazia no curr\u00edculo o Pritzker de 2006 e os restauros da Pinacoteca e da Oca no Ibirapuera \u2013 essa \u00faltima citada como o melhor exemplo de recupera\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio moderno no Brasil. \u201cA FAU tem um Pritzker como professor, oras. N\u00e3o poderia contrat\u00e1-lo para fazer um projeto?\u201d, pergunta a filha de Artigas.<\/p>\n<p>No auge da crise, Mendes da Rocha chegou a ser convidado por Sawaya, mas sem condi\u00e7\u00f5es de trabalho: o projeto n\u00e3o s\u00f3 carecia de verba, como tinha a agravante de ser vinculado a um diretor na berlinda. Haveria outros nomes gabaritados intramuros, entre outros: Alexandre Delijaicov, \u00c1lvaro Puntoni, Angelo Bucci e Milton Braga, com projetos estampados nas principais revistas de arquitetura do mundo, lembrados pela cr\u00edtica como seguidores da tradi\u00e7\u00e3o moderna da Escola Paulista. Nunca houve, no entanto, uma movimenta\u00e7\u00e3o organizada para salvar o edif\u00edcio.<\/p>\n<p>Havia iniciativa e alguns milh\u00f5es, mas a dire\u00e7\u00e3o efetuou a concorr\u00eancia p\u00fablica prescindindo de um projeto de restauro \u2013 exigia-se apenas um plano de tratamento estrutural do concreto. Ganhou a licita\u00e7\u00e3o a empresa Jatobeton, de Pernambuco, especializada em recupera\u00e7\u00e3o de pontes e sem experi\u00eancia em obras tombadas.<\/p>\n<p>\u201cO edital da licita\u00e7\u00e3o apresentado pela diretoria foi muito mal elaborado\u201d, alerta Rafael Urano, cr\u00edtico e professor da Unicamp: \u201cN\u00e3o tinha nada l\u00e1 que garantisse a qualidade arquitet\u00f4nica da interven\u00e7\u00e3o\u201d. Para Beatriz K\u00fchl, o problema nas empenas da fachada era ainda maior: \u201cSobre elas n\u00e3o havia o mesmo conhecimento acumulado como no caso dos trabalhos da cobertura nos \u00faltimos vinte anos\u201d.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-16\" class=\"x-section bg-image parallax\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px; height:30vh; background-image: url(https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/edit_MG_0532.jpg); background-color: transparent;\" data-x-element=\"section\" data-x-params=\"{&quot;type&quot;:&quot;image&quot;,&quot;parallax&quot;:true}\"><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: px 0px 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 100px 0 0 0;\"><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container justify-text  max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0 px 0px 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 10px; \" >&nbsp;<\/div><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" >&nbsp;<\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>No canteiro proibido<\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>Rafael Urano, Alexandre Benoit e Guilherme Pianca \u2013 todos ex-alunos \u2013, propuseram em 2012 o <a href=\"http:\/\/www.vitruvius.com.br\/revistas\/read\/projetos\/13.154\/4899\" target=\"_blank\">projeto de uma estrutura tempor\u00e1ria no estacionamento da FAU (ver link)<\/a>, que abrigaria todas as atividades letivas no decorrer das obras. Or\u00e7ada em 3 milh\u00f5es de reais, ela permitiria aos estudantes frequentar o edif\u00edcio durante a reforma, sem atrapalhar os trabalhos e aprendendo com o processo.<\/p>\n<p>A ideia n\u00e3o foi adiante e a complexa reforma, com obras acontecendo dia e noite, lidava ainda com a rotina das aulas. Mesmo assim, os alunos acabaram n\u00e3o tendo qualquer ensinamento acad\u00eamico com as obras dentro da pr\u00f3pria faculdade de arquitetura; habitavam um canteiro que n\u00e3o podiam entrar, muito menos estud\u00e1-lo, desperdi\u00e7ando uma oportunidade \u00fanica para o aprendizado.<\/p>\n<p>Em abril de 2014, a falta de manuten\u00e7\u00e3o resultou em momentos dram\u00e1ticos que poderiam ter colocado em risco a vida dos usu\u00e1rios do espa\u00e7o. A fia\u00e7\u00e3o el\u00e9trica de lumin\u00e1rias, velha e sobrecarregada, provocou um inc\u00eandio que se espalhou pelas telas azuis provis\u00f3rias e consumiu parte de uma das salas de aula no \u00faltimo piso. O desastre s\u00f3 n\u00e3o foi maior porque a faculdade estava fechada para o recesso da Semana Santa.<\/p>\n<p>Uma grossa poeira, nociva \u00e0 sa\u00fade de alunos, professores e funcion\u00e1rios, cobria o pr\u00e9dio todo ao longo de todas as reformas, mas apesar disso o gr\u00eamio se pronunciou contra a retirada das atividades curriculares do pr\u00e9dio. Um dos maiores temores dos alunos era perder os alugu\u00e9is do piso do museu. \u201cDeve-se tomar cuidado para que os estudantes n\u00e3o se transformem em censores conservadores, isso n\u00e3o vai ajudar\u201d, pondera Rosa Artigas.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-18\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 45px 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/EDIT_MG_0485.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-19\" class=\"x-section bg-image parallax\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; height:25vh; background-image: url(https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/edit_MG_0584_1.jpg); background-color: transparent;\" data-x-element=\"section\" data-x-params=\"{&quot;type&quot;:&quot;image&quot;,&quot;parallax&quot;:true}\"><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: px 0px 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 0px 0 0 0;\"><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container justify-text  max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0 px 0px 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" >&nbsp;<\/div><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" >&nbsp;<\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>Como remendar fachadas<\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>A Jatobeton efetuou testes e concluiu que 40% da fachada precisariam ser recuperados. Sob orienta\u00e7\u00e3o da PhD Engenharia, de Paulo Helene, professor da Escola Polit\u00e9cnica que participava dos semin\u00e1rios e relat\u00f3rios sobre a situa\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio em 2006, a obra teve in\u00edcio. \u201cA interven\u00e7\u00e3o na empena foi muito experimental. Jamais poderiam ter come\u00e7ado o tratamento de uma superf\u00edcie t\u00e3o grande sem antes terem feito experimentos cuidadosos\u201d, afirma K\u00fchl.<\/p>\n<p>Dessa vez, a faculdade conseguiu a aprova\u00e7\u00e3o nos \u00f3rg\u00e3os de patrim\u00f4nio, mas o procedimento foi pouco ortodoxo. A controversa reforma da fachada passou com letras pequenas, como um t\u00f3pico secund\u00e1rio no conjunto das obras propostas e, na prefeitura, tramitou apenas pelo Conselho Municipal de Preserva\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico, Conpresp \u2013 \u00f3rg\u00e3o com membros escolhidos politicamente \u2013, sem um parecer formal do corpo t\u00e9cnico do DPH.<\/p>\n<p>A construtora recortou o concreto em todos os pontos que ofereciam perigo de desmoronamento; a arma\u00e7\u00e3o de ferro deteriorada foi tratada. Depois, uma massa de cimento com aditivos, desenvolvida especialmente pela empresa PhD, preencheu os rasgos, transformando a fachada em uma trama com diversos tons de cinza. Esse material deveria ter a mesma cor da amostra inicial, mas n\u00e3o foi o que se viu. \u201cDo ponto de vista t\u00e9cnico, para garantir a seguran\u00e7a dos usu\u00e1rios, a obra foi muito bem feita; esteticamente falando, deixou a desejar\u201d, diz a professora Claudia.<\/p>\n<p>Os arquitetos do Grupo Executivo de Gest\u00e3o dos Espa\u00e7os F\u00edsicos (GEEF), \u00f3rg\u00e3o da FAU respons\u00e1vel pela fiscaliza\u00e7\u00e3o da reforma, pareciam desolados com a Jatobeton e sua nova empena. \u201cIsso daqui virou um grande laborat\u00f3rio\u201d, concluiu Eunice Bruno.<\/p>\n<p>Romero chegou a jogar a toalha. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para resolver esse problema da cor: dependendo da orienta\u00e7\u00e3o da fachada e da cor original de cada \u00e1rea \u2013 que j\u00e1 n\u00e3o era uniforme \u2013, a massa fica diferente\u201d. E depois afirmou que a manuten\u00e7\u00e3o vindoura acabaria por agir em prol do pr\u00e9dio: \u201cEm pouco tempo, tudo ser\u00e1 igualado pela cor da cidade\u201d, numa refer\u00eancia \u00e0 chuva \u00e1cida e \u00e0 polui\u00e7\u00e3o que atacam o concreto. Em seguida conclui: \u201cN\u00e3o tem que esperar ficar preto, de dez em dez anos \u00e9 preciso dar uma limpadinha, os \u00f3rg\u00e3os da FAU est\u00e3o preocupados com isso\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um processo complicado, sobretudo pelas ripas na textura do concreto\u201d, explica Gabriel Regino, da Tresuno, especialista reconhecido em recupera\u00e7\u00e3o de concreto, convidado a visitar as obras na FAU especialmente para esse artigo. \u201cMas, antes de come\u00e7ar, sempre precisamos saber a cor real do material, com uma limpeza e escova\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica espec\u00edfica. S\u00f3 assim acertamos o tom\u201d. Na FAU, fez-se apenas uma escova\u00e7\u00e3o manual. E no fim da obra, n\u00e3o no in\u00edcio.<\/p>\n<p>Em setembro de 2014, a dois meses do fim do contrato legal, Rodrigo Vergili \u2013 destacado pela PhD para acompanhar a obra \u2013 reconheceu: \u201cS\u00f3 estou mais otimista agora que conseguimos resultados melhores\u201d. A solu\u00e7\u00e3o encontrada foi escovar tudo e pintar com uma nata de concreto apenas os lugares onde houve recupera\u00e7\u00e3o, no intuito de corrigir a colora\u00e7\u00e3o destoante do patchwork da fachada.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-21\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 45px 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/craice18.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>No final de novembro, a prec\u00e1ria uniformiza\u00e7\u00e3o da cor das massas sobre os rasgos j\u00e1 estava praticamente conclu\u00edda, mas o resultado quebrava qualquer unidade da fachada: onde o concreto era original, a textura era viva; onde foi reconstru\u00eddo, parecia uma cobertura artificial, lisa e sem profundidade.<\/p>\n<p>\u201cEssa interven\u00e7\u00e3o na fachada \u00e9 trabalho perdido, estraga o pr\u00e9dio\u201d, afirma Silvio Oksman. Diferentemente do concreto original, a nova massa n\u00e3o exibia as ripas de madeira da f\u00f4rma. A solu\u00e7\u00e3o encontrada? Desenhar artificialmente a linha da madeira, emulando o original, como um ornamento na fachada, justamente no edif\u00edcio onde Vilanova Artigas havia defendido que \u201cn\u00e3o tivesse a menor concess\u00e3o a nenhum barroquismo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO objetivo nunca foi disfar\u00e7ar as interven\u00e7\u00f5es, mas incorpor\u00e1-las, conforme sugerem as cartas de restauro\u201d, justificou Vergili na sala do GEEF. No entanto, essa parece ser uma leitura simplista, segundo os especialistas em restauro ouvidos, sobre conven\u00e7\u00f5es de restauro \u2013 como a Carta de Veneza de 1964 \u2013, porque a solu\u00e7\u00e3o fica nas m\u00e3os do acaso, chega a reboque das constata\u00e7\u00f5es de problemas ao longo da obra. N\u00e3o \u00e9 uma defini\u00e7\u00e3o projetual, que deliberadamente imprime \u201ca marca do nosso tempo\u201d, como rezam os tratados internacionais.<\/p>\n<p>Os problemas na interven\u00e7\u00e3o na fachada n\u00e3o se repetiram na estrutura da cobertura, por dentro do pr\u00e9dio, onde o concreto liso e menos exposto ao tempo facilitava o processo. A complicada impermeabiliza\u00e7\u00e3o do teto estancou novas infiltra\u00e7\u00f5es. O diretor retirou a tela azul e os os 960 domos do teto foram substitu\u00eddos por novos, em acr\u00edlico leitoso. \u201cA cobertura ficar\u00e1 melhor do que quando nova\u201d, comemorava Romero logo antes da conclus\u00e3o dos trabalhos.<\/p>\n<p>No entanto, sob as vigas, a interven\u00e7\u00e3o foi novamente agressiva aos conceitos arquitet\u00f4nicos do projeto de Artigas: a substitui\u00e7\u00e3o da ilumina\u00e7\u00e3o dos est\u00fadios, antes feita por delicadas l\u00e2mpadas tubulares que pareciam flutuar, deram lugar a pesados sistemas de lumin\u00e1rias com quase 20cm de altura, verdadeiras vigas met\u00e1licas espessas dependuradas que \u2013 se olhadas em perspectivas \u2013 encobrem a treli\u00e7a das vigas de concreto da cobertura. Em quest\u00e3o de meses, o modelo comprado se mostrou pouco robusto para o ambiente agressivo e v\u00e1rias lumin\u00e1rias se deterioram ou se desprenderam da fr\u00e1gil afixa\u00e7\u00e3o na cobertura feita por canaletas met\u00e1licas. <\/p>\n<p>J\u00e1 a nova instala\u00e7\u00e3o de el\u00e9trica na parede dos est\u00fadios constituiu uma das mais impressionantes imagens das altera\u00e7\u00f5es no pr\u00e9dio: em vez de tra\u00e7adas pelo piso, vieram em condu\u00edtes aparentes que, quando encontram descontinuidades nas empenas divis\u00f3rias, formam pequenos p\u00f3rticos a\u00e9reos com indiscut\u00edvel est\u00e9tica de improviso, de arremedo, de falta de desenho.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de projeto e ordenograma veio a vitimar tamb\u00e9m a vegeta\u00e7\u00e3o do novo jardim em menos de cinco anos. Nem o superfertlizante salvou-as da obra feita logo depois no mesmo ambiente, literalmente, sobre a interven\u00e7\u00e3o paisag\u00edstica anterior.<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-23\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 45px 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/craice4.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>Arquitetura em crise<\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>Desde 2007, foram gastos quase 12,5 milh\u00f5es de reais nas diversas obras, um quarto do valor estimado para o restauro de todo edif\u00edcio \u2013 por volta de 50 milh\u00f5es de reais, considerando 2 mil reais por metro quadrado, pre\u00e7o praticado no mercado para obras similares.<\/p>\n<p>Restaurar obras modernas n\u00e3o \u00e9 considerada tarefa f\u00e1cil. O OMA, de Rem Koolhaas, tem se especializado em interven\u00e7\u00f5es similares como a Garage em Moscou ou a Fondazione Prada em Mil\u00e3o. Suas obras trazem um desprendimento de sentimentos nost\u00e1lgicos e evitam restaurar em excesso, preservando marcas do tempo. Todo o trabalho \u00e9 precedido de pesquisa t\u00e9cnica e hist\u00f3rica. O ingl\u00eas David Chipperfield, que fez o restauro do Neues Museum em Berlin, encara agora o desafio de recuperar uma das obras-primas do modernismo: a Neue Gallery, de Mies Van der Rohe.<\/p>\n<p>Embora em uma obra pr\u00e9-moderna, um bom exemplo no Brasil \u00e9 a Pinacoteca de S\u00e3o Paulo, cuja reforma de Paulo Mendes da Rocha, em 1996, adicionou interven\u00e7\u00f5es em a\u00e7o nitidamente distintas do tijolo do edif\u00edcio de Ramos de Azevedo. O levantamento durou v\u00e1rios meses e a obra englobou todo o pr\u00e9dio. \u201cOs mesmos princ\u00edpios das conven\u00e7\u00f5es de restauro das edifica\u00e7\u00f5es mais antigas podem ser aplicados \u00e0s modernas; preservar n\u00e3o \u00e9 reconstruir: poderia at\u00e9 ser mais barato, mas voc\u00ea apagaria os erros \u2013 que tamb\u00e9m fazem parte da obra\u201d, explica Oksman.<\/p>\n<p>O processo de descaracteriza\u00e7\u00e3o da arquitetura da FAU \u2013 com a justaposi\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias camadas diferentes de interven\u00e7\u00f5es \u2013 \u00e9 emblem\u00e1tico porque, justamente em sua pr\u00f3pria casa, no edif\u00edcio-s\u00edmbolo da hist\u00f3ria moderna de S\u00e3o Paulo, os arquitetos lan\u00e7aram m\u00e3o de sua principal ferramenta de atua\u00e7\u00e3o: o projeto. \u201cProjeto se faz antes da obra, e n\u00e3o durante. Quer ver se uma argamassa chega ao tom pretendido? Fa\u00e7a testes fora da obra, n\u00e3o \u00e9 para sair quebrando tudo e depois passar um palitinho na fachada para fingir que \u00e9 a junta da f\u00f4rma\u201d, conclui Oksman.<\/p>\n<p>A crise da arquitetura se mistura com uma crise pol\u00edtica e de gest\u00e3o. Dalva Thomaz, do DPH, lembra que a possibilidade de conseguir financiamento p\u00fablico sempre esteve na mesa. \u201cJ\u00e1 alertamos diversas vezes a faculdade que, por ser uma obra tombada, seria poss\u00edvel conseguir financiamento pela Lei Rouanet. Houve um descolamento: a melhor escola de arquitetura do pa\u00eds \u2013 com os maiores especialistas \u2013 nunca viu o pr\u00e9dio como um projeto de restauro, mas como obras emergenciais\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Com exce\u00e7\u00e3o das obras na cobertura, todas as in\u00fameras interven\u00e7\u00f5es feitas desde a inaugura\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio est\u00e3o prontas para serem refeitas, seja pela inequa\u00e7\u00e3o a conceitos fundamentais da obra de Artigas e falta de pertin\u00eancia de conjunto, seja pela baixa manuten\u00e7\u00e3o ou desconhecimento t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>Vis\u00f5es pol\u00edticas e est\u00e9ticas individuais se sobrepuseram ao conhecimento e hist\u00f3ria da arquitetura. Iniciativas de criar processos perenes e precisos e amplos de recupera\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio ficaram ent\u00e3o relegadas a segundo plano. Enquanto isso \u2013 como um agrupamento praticamente rand\u00f4mico de interven\u00e7\u00f5es \u2013, a arquitetura se desfaz e se desmorona, sob o espectro dos conflitos passados, sob o espectro de seu pr\u00f3prio arquiteto e da pol\u00edtica universit\u00e1ria e nacional. As nov\u00edssimas e brilhantes interfer\u00eancias no edif\u00edcio da FAU s\u00e3o como ru\u00ednas modernas, ru\u00ednas \u00e0s avessas, constru\u00e7\u00f5es-j\u00e1-ru\u00ednas; procuram fazer da arquitetura um objeto distante, seja envolvido pela incompreens\u00e3o dos arquitetos sobre a pr\u00f3pria arte e escola ou pela tentativa velada de desmerecimento de um projeto pol\u00edtico-arquitet\u00f4nico \u2013 agora em frangalhos, um simulacro de ideais, uma s\u00edntese da pr\u00f3pria crise da arquitetura.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 70px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text\" style=\"\" ><h6><span style=\"color: #000000;\">Gabriel Kogan,<\/span><\/h6>\n<p><span style=\"color: #000000;\">arquiteto formado pela FAU\/USP; trabalha como jornalista colaborando para ve\u00edculos como a <em>Folha de S.Paulo<\/em>, <em>A+U<\/em> (Jap\u00e3o) e <em>Revista Bamboo<\/em>.<\/span><\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 10px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text\" style=\"\" ><h6><span style=\"color: #000000;\">Clara Werneck,<\/span><\/h6>\n<p><span style=\"color: #000000;\">estudante de arquitetura na FAU\/USP.<\/span><\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 10px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text\" style=\"\" ><h6><span style=\"color: #000000;\">Rafael Craice,<\/span><\/h6>\n<p><span style=\"color: #000000;\">fot\u00f3grafo e arquiteto formado pela FAU\/USP.<\/span><\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 70px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-25\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; 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