{"id":3073,"date":"2020-09-16T19:34:03","date_gmt":"2020-09-16T19:34:03","guid":{"rendered":"http:\/\/revistacentro.org\/?page_id=3073"},"modified":"2020-12-22T14:19:17","modified_gmt":"2020-12-22T14:19:17","slug":"ibirapuera","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/ibirapuera\/","title":{"rendered":"Texto da Veja SP sobre o fim do Gin\u00e1sio do Ibirapuera traz dados imprecisos sobre preserva\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica &#8211; Gabriel Kogan"},"content":{"rendered":"<div id=\"x-section-1\" class=\"x-section fau bg-image\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-image: url(https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Gina\u0301sio_Estadual_Geraldo_J._Almeida-1.jpg); background-color: transparent;\" data-x-element=\"section\" data-x-params=\"{&quot;type&quot;:&quot;image&quot;,&quot;parallax&quot;:false}\"><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" >&nbsp;<\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text\" style=\"\" ><h1><span style=\"color: #000000;\">TEXTO DA VEJA SP SOBRE A TRANSFORMA\u00c7\u00c3O DO GIN\u00c1SIO DO IBIRAPUERA EM SHOPPING CONT\u00c9M INFORMA\u00c7\u00d5ES IMPRECISAS SOBRE <\/span> <span style=\"color: #808080;\">PATRIM\u00d4NIO HIST\u00d3RICO<\/span><\/h1>\n<\/div><div id=\"\" class=\"x-text\" style=\"\" ><h3><span style=\"color: #808080;\">GABRIEL KOGAN DEZ\/2020 <\/span><\/h3>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>Veiculado na semana passada (18\/12\/2020) no site da Veja S\u00e3o Paulo, o artigo \u201cA gritaria da \u2018elite progressista\u2019 para manter um Gin\u00e1sio do Ibirapuera obsoleto\u201d, assinado pelo editor-chefe da revista, Raul Juste Lores, distorce fatos e conceitos sobre a disciplina arquitet\u00f4nica a fim de justificar a transforma\u00e7\u00e3o do complexo esportivo em um shopping center. Os sete erros. <\/p>\n<p>1- H\u00e1 um problema gritante de<strong> formato jornal\u00edstico<\/strong> no artigo. Em tempos de fakenews, quando os \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o deviam zelar por rigor de informa\u00e7\u00e3o, a inadequa\u00e7\u00e3o a formatos produz confus\u00e3o proposital no leitor. Aqui n\u00e3o fica claro de partida se \u00e9 um artigo opinativo, se \u00e9 uma apura\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica com checagem de fatos ou se \u00e9 um editorial (ali\u00e1s, a \u00fanica coisa que ele deveria de fato ser pelas implica\u00e7\u00f5es do autor).<\/p>\n<p>2- O texto desenvolve<strong> uma oposi\u00e7\u00e3o inexistente entre preserva\u00e7\u00e3o do complexo esportivo e a adequa\u00e7\u00e3o deste a novos usos<\/strong>. Essa premissa falaciosa no texto n\u00e3o est\u00e1 amparada por qualquer teoria contempor\u00e2nea do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico. Em 2012, o holand\u00eas Rem Koolhaas organizou a exposi\u00e7\u00e3o Cronocaos, apresentada pela primeira vez na Bienal de Veneza. Koolhaas colheu dados objetivos sobre atuais contradi\u00e7\u00f5es da preserva\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e mostrou uma coincid\u00eancia entre marcos de preserva\u00e7\u00e3o pelo mundo (como o surgimento de institui\u00e7\u00f5es nacionais p\u00fablicas de defesa do patrim\u00f4nio) e surtos progressistas (inclusive revolucion\u00e1rios; revolu\u00e7\u00e3o burguesa, revolu\u00e7\u00e3o industrial). Concluiu que \u201cquando se muda tudo, precisa-se pensar o qu\u00ea n\u00e3o mudar\u201d. Assim, ao contr\u00e1rio do que o senso comum sup\u00f5e, a preserva\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica significa desenvolvimento (de todas as naturezas, econ\u00f4micas e pol\u00edticas). A ideia de preserva\u00e7\u00e3o como um processo de embalsamento de um objeto sob uma redoma de vidro n\u00e3o \u00e9 defendido por qualquer te\u00f3rico desde John Ruskin. O \u201ctombamento\u201d \u2013 como se diz \u2013 significa invariavelmente alinhar a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria arquitet\u00f4nica e urban\u00edstica do espa\u00e7o a necessidade de incorpora\u00e7\u00e3o de novos usos e programas. No caso espec\u00edfico do Gin\u00e1sio do Ibirapuera, com algumas obras de subsolo e adi\u00e7\u00f5es de edif\u00edcios que n\u00e3o prejudicassem a envolt\u00f3ria, seria fac\u00edlimo conciliar a forma arquitet\u00f4nica do edif\u00edcio de \u00cdcaro de Castro Mello a uma \u201carena multi\u00faso central na faixa dos 20 000 espectadores.\u201d<\/p>\n<p>3- O autor do texto demonstra <strong>desconhecimento sobre exemplos internacionais citados<\/strong>, como na frase destinada a arquitetos paulistas: \u201cPoderiam se inspirar na prefeita socialista de Paris, que vendeu dezenas de im\u00f3veis pouco utilizados e, al\u00e9m de fazer caixa, determinou os usos e a renova\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas parisienses\u201d. Antes de tudo, o termo \u201cdegradado\u201d n\u00e3o \u00e9 mais utilizado cientificamente e passou a denotar preconceito racial e de classe. Tecidos urbanos ditos \u201cdegradados\u201d geralmente denotam lugares de ocupa\u00e7\u00f5es de baixa renda e\/ou por imigrantes, ou seja, carregam interesses por \u201crenova\u00e7\u00f5es\u201d urbanas por parte de especuladores que veem nesse bairros potenciais opera\u00e7\u00f5es baratas para lucros f\u00e1ceis. Al\u00e9m disso, a cita\u00e7\u00e3o aos concursos urbanos de Paris aparece descontextualizada e destitu\u00edda do significado pol\u00edtico\/hist\u00f3rico. O objetivo fundamental da mencionada \u201cvenda de im\u00f3veis\u201d na Fran\u00e7a \u00e9 garantir a aplica\u00e7\u00e3o da lei nacional que demanda que ao menos 20% de cada bairro tenha habita\u00e7\u00e3o social para pessoas pobres. Na toada dos projetos, e para garantir diversidade de atividades, a prefeitura inclui centros culturais e programas institucionais, mas isso representa apenas uma porcentagem \u00ednfima das chamadas. Os tais im\u00f3veis vendidos por sua vez foram, em grande maioria, adquiridos em tempos de crise, quando h\u00e1 maior oferta para o poder p\u00fablico, que consegue reduzir assim oscila\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas c\u00edclicas com novos investimentos. Os terrenos \u201cprivatizados\u201d passam a ser administrados por imobili\u00e1rias p\u00fablicas que se encarregam da disponibiliza\u00e7\u00e3o de geralmente metade dos edif\u00edcios constru\u00eddos por meio de loca\u00e7\u00e3o social. O direito nesse modelo franc\u00eas n\u00e3o \u00e9 pela propriedade, mas pela habita\u00e7\u00e3o e pelo uso democr\u00e1tico da cidade. Se olharmos no caso espec\u00edfico do Gin\u00e1sio do Ibirapuera, seguindo o conselho do editor da revista, se estivesse na Fran\u00e7a seria disponibilizado junto de um grande pacote de concursos para incorporadores e investidores, com o objetivo de atrair a aten\u00e7\u00e3o de todo o conjunto de \u00e1reas. Poderia at\u00e9 n\u00e3o ter habita\u00e7\u00e3o dentro da pr\u00f3pria \u00e1rea, mas pediria contrapartidas caras (ali\u00e1s, esse tipo de \u00e1rea passou a ser considerado o pior pelos investidores privados). Mesmo que n\u00e3o especificado no edital, um gin\u00e1sio desses jamais seria demolido ou descaracterizado para virar shopping em Paris por duas raz\u00f5es \u00f3bvias: (a) o mandat\u00e1rio do concurso n\u00e3o \u00e9 a construtora nem os investidores, mas \u2013 por lei \u2013 o pr\u00f3prio arquiteto que tem responsabilidades p\u00fablicas e frente a preserva\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, (b) toda interven\u00e7\u00e3o precisa ser aprovada em comiss\u00f5es comunit\u00e1rias rigorosas que zelam por todos os bens mesmo aqueles n\u00e3o preservados. Ou seja, o autor do artigo da Vejinha n\u00e3o faz a menor ideia do que esteja falando, ou finge n\u00e3o saber para sofismar. Agora&#8230; Aceito o desafio: vamos implantar o modelo franc\u00eas? Mas vamos implantar na \u00edntegra, ok?<\/p>\n<p>4- O artigo em quest\u00e3o tangencia uma verdadeira quest\u00e3o sobre <strong>o papel dos conselhos de patrim\u00f4nio<\/strong>, mas a inverte para causas pr\u00f3prias. Menciona, por exemplo, que existem \u201c4 000 im\u00f3veis tombados nos \u00faltimos quarenta anos\u201d e que \u201cnunca o tal gin\u00e1sio entrou na lista\u201d. Esse n\u00famero n\u00e3o significa absolutamente nada. Quatro mil \u00e9 muito ou pouco para um munic\u00edpio com mais de 12 milh\u00f5es de pessoas? E quais s\u00e3o esses im\u00f3veis e por que foram preservados? Sabemos, por exemplo, que h\u00e1 uma lei que faz com que o valor venal de im\u00f3veis tombados possa ser vendido virtualmente como potencial construtivo. Ou seja, os pr\u00f3prios propriet\u00e1rios desses im\u00f3veis pedem a preserva\u00e7\u00e3o, para conseguir vend\u00ea-los sem nunca se desfazer da propriedade. Mas de fato, aconteceu um desvirtuamento dos \u00f3rg\u00e3os de patrim\u00f4nio hist\u00f3rico que se tornaram o \u00faltimo e \u00fanico basti\u00e3o de resist\u00eancia, com poder concreto de atua\u00e7\u00e3o, contra a transforma\u00e7\u00e3o desordenada e explorat\u00f3ria da cidade. Ent\u00e3o, em vez de criminalizar a defesa do patrim\u00f4nio arquitet\u00f4nico e urban\u00edstico, n\u00e3o seria o caso de criar novas institui\u00e7\u00f5es\/conselhos com alto poder para decidir sobre grandes empreendimentos? Talvez assim possamos recolocar os crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o. E que essas institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam chapa branca e sim compostas por pensadores e te\u00f3ricos do urbanismo. Afinal n\u00e3o \u00e9 da ci\u00eancia que estamos saindo em defesa no \u00faltimo ano? Ali\u00e1s, os EUA \u2013 que sempre se mostraram refrat\u00e1rios \u00e0s normas de preserva\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica \u2013 desenvolveram seus conselhos ultrapoderosos nos condados.<\/p>\n<p>5- <strong>Debates e fatos alien\u00edgenas \u00e0 discuss\u00e3o s\u00e3o inseridos de forma descontextualizada<\/strong> no texto. Mora aqui uma cilada armada pelo editor-chefe que, por causa disso foi acusado de desonestidade intelectual nas redes sociais. A fim de mobilizar pelas v\u00edsceras seus leitores, o autor insere palavras chaves chamativas que agem emocionalmente sobre as massas em f\u00faria. A USP, por exemplo, mencionada duas vezes no texto, n\u00e3o tem nada a ver com o assunto. Nada. E assim, como um fluxo dada\u00edsta desconexo de frases, vem nomes e fatos completamente desassociados ao assunto para criar desorienta\u00e7\u00e3o sobre o tema central, inserir personagens desacreditados pelo p\u00fablico-leitor, incentivando o compartilhamento em redes de comunica\u00e7\u00e3o, como ca\u00e7a cliques, para enfim gerar desinforma\u00e7\u00e3o: PT (5 men\u00e7\u00f5es), desastres ocorridos durante o governo Temer (2 men\u00e7\u00f5es), Reforma do Anhangaba\u00fa (2 men\u00e7\u00f5es), Est\u00e1dios da Copa do Mundo (8 men\u00e7\u00f5es), estruturas ligadas ao Carnaval (2 men\u00e7\u00f5es), Monotrilho e Petrobr\u00e1s. Coloque todas as coisas que se tem percep\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ruins (reais ou falsas) em um mesmo texto e aproxime-as do assunto travestido de uma pseudo raz\u00e3o para movimentar emocionalmente o leitor sobre um tema. Ainda, o autor se vale do subterf\u00fagio de ocultar diretamente os nomes de pessoas envolvidas para evitar direitos de respostas, falando de formas gen\u00e9ricas e imprecisas sobre fatos. Por tudo isso vieram acusa\u00e7\u00f5es nas redes sociais por parte, claro, da \u2018elite progressista\u2019 hist\u00e9rica.<\/p>\n<p>6- <strong>O autor pinta uma imagem de que o lugar esteja vazio<\/strong>, \u201cobsoleto\u201d, e que n\u00e3o tem utilidade p\u00fablica. Ningu\u00e9m quer treinar, ningu\u00e9m quer nadar, ningu\u00e9m quer fazer esporte. No entanto, ao longo das \u00faltimas semanas, esclareceu-se que o processo de sucateamento do complexo esportivo foi incentivado pelo pr\u00f3prio poder p\u00fablico, provavelmente j\u00e1 antevendo a possibilidade de concess\u00e3o. Sele\u00e7\u00f5es e times tentavam usar o complexo esportivo, mas dificuldades surgiam artificialmente, inclusive com a cobran\u00e7a de valores mais altos do que aqueles praticados pelo mercado. H\u00e1 demanda, o que n\u00e3o houve foi um projeto de gest\u00e3o do lugar que at\u00e9 mesmo previsse, surfando no intenso uso poss\u00edvel, uma renova\u00e7\u00e3o paulatina das instala\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>7- <strong>Em nenhum momento o programa, o projeto arquitet\u00f4nico e os benefici\u00e1rios s\u00e3o debatidos pelo artigo<\/strong>. Agora, vamos parar para pensar sobre a quest\u00e3o friamente: a gente vai pegar um peda\u00e7o de um parque p\u00fablico, o maior da cidade, que tem nesse peda\u00e7o uma cara infraestrutura instalada de esporte capaz de abrigar um centro de treinamento de excel\u00eancia, e que pode servir tamb\u00e9m como local de lazer democr\u00e1tico para a popula\u00e7\u00e3o, bem inserido na rede de transporte p\u00fablico da cidade, demolir ou mudar tudo e transformar em um shopping center. Para al\u00e9m de quem vai administrar isso: faz algum sentido? A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o conjunto arquitet\u00f4nico; a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o poder privado participar disso; a quest\u00e3o \u00e9 a nova fun\u00e7\u00e3o e para quem ela ser\u00e1 destinada! E se queremos mesmo falar sobre o projeto arquitet\u00f4nico: por que n\u00e3o aproveitar as potencialidades do lugar, corrigir os defeitos (que existem!) do projeto original, manter a mem\u00f3ria, readequar o programa, colocar novos usos e deixar a Magic Paula orgulhosa? N\u00e3o seria lucrativo ou n\u00e3o seria t\u00e3o lucrativo quanto a proposta em pauta?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fotos: S\u00e9rgio Valle Duarte\/Wikipedia<\/p>\n<\/div><div id=\"\" class=\"x-text\" style=\"\" ><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":3121,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"template-blank-4.php","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3073"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3073"}],"version-history":[{"count":40,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3073\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3141,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3073\/revisions\/3141"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3121"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3073"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}