{"id":2483,"date":"2016-08-17T18:30:56","date_gmt":"2016-08-17T18:30:56","guid":{"rendered":"http:\/\/revistacentro.org\/?page_id=2483"},"modified":"2016-08-31T12:42:07","modified_gmt":"2016-08-31T12:42:07","slug":"koolhaaspt","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/koolhaaspt\/","title":{"rendered":"BRAS\u00cdLIA por Rem Koolhaas"},"content":{"rendered":"<div id=\"x-section-1\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; width: 100%;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/5a.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h1><span style=\"color: #000000;\">BRAS\u00cdLIA por REM KOOLHAAS<\/span><\/h1>\n<\/div><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3><span style=\"color: #808080;\">Texto in\u00e9dito do arquiteto holand\u00eas sobre a cidade moderna<br \/>\n<\/span><\/h3>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 6px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h6>TEXTO <span style=\"color: #808080;\">REM KOOLHAAS<\/span><\/h6>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 2px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h6>TRADU\u00c7\u00c3O\u00a0<span style=\"color: #808080;\">ELINE OSTYN<\/span><\/h6>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 2px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h6>REVIS\u00c3O &#038; EDI\u00c7\u00c3O\u00a0<span style=\"color: #808080;\">GABRIEL KOGAN &#038; RODRIGO VILLELA<\/span><\/h6>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 40px 0 0 0;\"><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" ><div id=\"\" class=\"x-text\" style=\"\" ><p><em>[Nota dos Editores: Escrito por Rem Koolhaas a partir de sua primeira viagem a Bras\u00edlia em agosto de 2011, o texto a seguir permaneceu in\u00e9dito. A Revista Centro traz agora duas vers\u00f5es (ingl\u00eas e portugu\u00eas) traduzidas diretamente do original em holand\u00eas. Al\u00e9m de um relato das impress\u00f5es sobre a moderna capital brasileira, o artigo se releva uma narrativa autobiogr\u00e1fica das origens de sua rela\u00e7\u00e3o com a arquitetura. A vers\u00e3o em ingl\u00eas (<a href=\"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/koolhaasen\">ver aqui<\/a>) foi traduzida por Bram van der Hout e usada para checagem dessa tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas brasileiro]<\/em><\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><\/div><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" >&nbsp;<\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>Bras\u00edlia<\/h3>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 15px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>N\u00e3o me lembro bem como encontrei, em 1956, uma mat\u00e9ria sobre a nova Bras\u00edlia em uma edi\u00e7\u00e3o da revista TIME. Eu tinha 11 anos. O artigo revelou a exist\u00eancia futura de uma cidade, exatamente no centro do pa\u00eds; um sonho de uma cidade que logo se tornaria realidade. Decidi naquele momento me tornar um arquiteto. N\u00e3o somente um arquiteto, mas um arquiteto brasileiro. <\/p>\n<p>Seguiram-se anos de esbo\u00e7os e desenvolvimento dessa ideia de emigrar para l\u00e1; um plano bastante ambicioso para um garoto do ginasial. Durante oito anos, no entanto, eu ignorei o impulso brasileiro. Tornei-me jornalista e co-escrevi roteiros de filmes. At\u00e9 que um dia entendi com clareza esmagadora: \u00e9 o arquiteto que determina os roteiros da vida cotidiana e que eu faria melhor por admitir a minha voca\u00e7\u00e3o anterior. <\/p>\n<p>Entre 1956 \u2013 ano da edi\u00e7\u00e3o da TIME \u2013 e 1968 aconteceu muita coisa. No meio disso, estudei arquitetura em Londres. A conven\u00e7\u00e3o que arquitetura \u00e9 uma for\u00e7a criativa \u2013 lidando h\u00e1 mais de tr\u00eas mil anos \u2013 foi prejudicada pela d\u00favida e pelo <em>flower power<\/em>. Eu me tornei arquiteto no momento em que as funda\u00e7\u00f5es da arquitetura come\u00e7aram a sucumbir.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-4\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; width: 100%;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/1a.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>1968<\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>A gera\u00e7\u00e3o de \u20181968\u2019 iria libertar a humanidade, entre outros, da pr\u00f3pria arquitetura. A cidade como \u2018ideal\u2019 modernista n\u00e3o era mais imagin\u00e1vel, n\u00e3o era nem mesmo mais sequer procurada. \u2018Ordem\u2019 era uma palavra suja, foi substitu\u00edda por \u2018auto-organiza\u00e7\u00e3o\u2019. Utopias viraram contos de fadas sombrios, usados contra o idealismo incur\u00e1vel da arquitetura. <\/p>\n<p>Pessoalmente, eu n\u00e3o participei dessa abdica\u00e7\u00e3o coletiva. Pelo contr\u00e1rio, decidi estudar o Muro de Berlim \u2013 conclu\u00eddo no mesmo ano de Bras\u00edlia \u2013 para provar que a arquitetura ainda era poderosa, que podia dividir cidades e vidas em duas partes. Era uma prova na qual, naquele momento, ningu\u00e9m se convenceu. <\/p>\n<p>Quase cinquenta anos depois, eu estou aqui em Bras\u00edlia, a primeira cidade que me fez pensar em fazer cidades. Desde 1972, procurei freneticamente descrever a situa\u00e7\u00e3o nas cidades: Nova York, Atlanta, Lagos, Singapura, delta do Rio das P\u00e9rolas na China, mesmo Dubai; n\u00e3o como cidades ideais, mas, sobretudo, as qualidades incontrol\u00e1veis que elas possuem. Eu n\u00e3o as examinei como moralista, mas como antrop\u00f3logo: como arquiteto eu ferozmente teria condenado todas elas. <\/p>\n<p>Mas agora n\u00e3o estou mais \u2018ocupado\u2019 com a cidade. Todo mundo sabe que o mundo est\u00e1 rapidamente se urbanizando, que a cidade cl\u00e1ssica n\u00e3o existe mais, que nesse s\u00e9culo as cidades com trinta milh\u00f5es de habitantes ser\u00e3o consideradas normais e que a popula\u00e7\u00e3o se muda para longe do campo. Eu estou particularmente olhando para o qu\u00ea essas pessoas deixaram para tr\u00e1s. O campo, a desconhecida linha de frente da mudan\u00e7a. Bras\u00edlia, pela \u00faltima vez, ent\u00e3o uma cidade.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-6\" class=\"x-section bg-image parallax\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; height: 33vh; background-image: url(https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/3.jpg); background-color: transparent;\" data-x-element=\"section\" data-x-params=\"{&quot;type&quot;:&quot;image&quot;,&quot;parallax&quot;:true}\"><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; width: 100%;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>2011<\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>O projeto para a cidade Bras\u00edlia tem a forma de um avi\u00e3o, nas quais as asas apontam para a frente. A fuselagem do avi\u00e3o consiste de duas fileiras de cinco pr\u00e9dios id\u00eanticos, cada um com dez andares, um para cada minist\u00e9rio. As fileiras s\u00e3o separadas umas das outras por um corredor, uma faixa ampla e verde. <\/p>\n<p>Na cauda fica o parlamento: duas fatias altas e uma plataforma sobre a qual uma c\u00fapula \u2013 o Senado Federal \u2013 e um disco voador \u2013 a C\u00e2mara dos Deputados \u2013 est\u00e3o pousados. <\/p>\n<p>A faixa ampla e verde na frente do parlamento era, durante minha visita, um mar de bandeiras vermelhas e banners de camponeses cantando em agita\u00e7\u00e3o contra a corrup\u00e7\u00e3o e arbitrariedades. <\/p>\n<p>Dentro do parlamento, outro grupo \u2013 de fazendeiros \u2013 igualmente numerosos, mas estes com camisetas verdes, eram recebidos sob a gloriososa bandeira do  microcr\u00e9dito. <\/p>\n<p>As asas do mapa da cidade consistem de mais de 130 superquadras id\u00eanticas, terrenos quadrados contendo uma m\u00e9dia de nove blocos de apartamentos residenciais organizados de forma ortogonal, todos diferentes, mas mesmo assim mon\u00f3tonos. Uma cidade de 1500 blocos de apartamentos.<\/p>\n<p>Sartre veio para ver; a rainha Elizabeth, Fidel Castro, Che Guevara e Willem Sandberg tamb\u00e9m. Para  Andre Malraux era um sinal de esperan\u00e7a; o Papa deu sua b\u00ean\u00e7\u00e3o, como, mais ou menos, quase todos os arquitetos modernos: Walter Gropius, Le Corbusier, Prouv\u00e9, Mies van der Rohe e Nervi. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia foi concebida pelo Juscelino Kubitschek, presidente a partir de 1956 com um mandato de cinco anos, como em uma campanha militar. O \u2018avi\u00e3o\u2019 foi projetado em 15 dias por Lucio Costa com tinta e papel. A fuselagem foi equipada em quatro anos somente com pr\u00e9dios de Oscar Niemeyer. Niemeyer, com medo de avi\u00f5es, viajou com um <em>Land Rover<\/em> atrav\u00e9s da terra selvagem entre a antiga capital do Rio e o futuro cento do governo. Bras\u00edlia \u00e9 uma quantidade excepcional de edif\u00edcios produzidos por um arquiteto em insanamente pouco tempo. <\/p>\n<p>Sua pressa e urg\u00eancia ainda s\u00e3o palp\u00e1veis, nenhum absurdo, nenhum detalhe desnecess\u00e1rio, nada sup\u00e9rfluo. Niemeyer n\u00e3o tinha escolha e \u00e9 \u2013 talvez por isso \u2013 ainda um g\u00eanio.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-8\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; width: 100%;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/4b.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>Em uma linha<\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>Muitas vezes a express\u00e3o \u2018<em>one-liner<\/em>\u2019 tem uma conota\u00e7\u00e3o negativa <em>[Nota de Tradu\u00e7\u00e3o: a palavra pode ter, por vezes, um sentido similar a \u2018monossil\u00e1bico\u2019 em portugu\u00eas; significa tamb\u00e9m uma frase sint\u00e9tica e afiada, como na express\u00e3o &#8220;resposta curta e grossa&#8221;]<\/em>. Mas na arquitetura um croqui de uma linha \u00fanica virou a prova mais confi\u00e1vel de genialidade. Esses \u2018one-liners\u2019 permanecem como a for\u00e7a de Niemeyer \u2013 ou trata-se de sua defici\u00eancia?<\/p>\n<p>Dois pr\u00e9dios de Bras\u00edlia intrigam: eles s\u00e3o polaridades opostas. A primeira \u00e9 uma impiedosa linha, ligeiramente curvada, com comprimento de 700m, projetada como uma universidade (UNB). Todos os aspectos da aprendizagem e da pesquisa est\u00e3o brilhantemente sintetizados nessa serpente infinita de concreto pr\u00e9-fabricado.<\/p>\n<p>Sua oposi\u00e7\u00e3o absoluta \u00e9 o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais: neutro, um bloco indefinido, mas por dentro uma \u2018<em>bo\u00eete \u00e0 miracle<\/em>\u2019 <em>[Nota de Edi\u00e7\u00e3o: Caixa dos Mil\u00e1gres, express\u00e3o usada por Le Corbusier em 1948 para descrever um espa\u00e7o ao mesmo tempo aberto e fechado]<\/em>, estruturado como um labirinto tridimensional. Um pal\u00e1cio diplom\u00e1tico de meras sensa\u00e7\u00f5es, \u00e0s vezes desafiadoramente abstrato, outras vezes pesadamente decorativo \u2013 um <em>mise-en-sc\u00e8ne<\/em> de meras apar\u00eancias.<\/p>\n<p>Para isto, Niemeyer teve <em>ghostwriters<\/em>: os conceitos e as sequencias dos interiores s\u00e3o orquestrados por um diplomata nato, o Ambaixador Vladimir Murtiho. Algumas salas s\u00e3o bonitas demais para seus visitantes frequentemente suspeitos; e tudo isso foi intencional.<\/p>\n<p>Se comparada com Niemeyer, quase todas as outras arquiteturas parecem sombrias e desnecessariamente trabalhosas. Isso tamb\u00e9m se deve ao clima. Bras\u00edlia, localizada em um planalto da savana brasileira, \u00e9 uma cidade ao ar livre: durante todo o ano, as condi\u00e7\u00f5es do ambiente externo s\u00e3o adequadas para as atividades internas. A arquitetura n\u00e3o \u00e9 prejudicada pelas tarefas do Hemisf\u00e9rio Norte \u2013 manter o calor \u2013, ou do Sul \u2013 esfriar. Uma membrana ultrafina, um \u00fanico painel de vidro, \u00e9 uma demarca\u00e7\u00e3o suficiente entre interior e exterior.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-10\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; width: 100%;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/itamaraty.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>Por raz\u00f5es pol\u00edticas, o \u2018avi\u00e3o\u2019 de Lucio Costa aterrou no centro exato do pa\u00eds. O objetivo era para desfazer o dom\u00ednio da costa do Brasil, em favor do interior inexplorado. Parece paradoxal dizer que isto tenha sido bem-sucedido pelo fato de que este exemplo-\u00faltimo de planejamento intensivo \u2013 projetado para 500.000 habitantes \u2013 agora se encontra cercado por uma cidade sem fim, com 3.5 milh\u00f5es de habitantes, estabelecida de acordo com a receita sem forma da economia de mercado. <\/p>\n<p>O \u2018avi\u00e3o\u2019 exemplar simplesmente se tornou n\u00e3o mais que um bairro, incorporado em quil\u00f4metros quadrados de cidade gen\u00e9rica. Assim, a primeira impress\u00e3o ao ver a planta n\u00e3o \u00e9 a natureza autorit\u00e1ria, mas sim a vulnerabilidade da arquitetura moderna&#8230;<\/p>\n<p>A gigantesca brutalidade do poder pol\u00edtico empregada na realiza\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia sucumbe ao poder ainda mais implac\u00e1vel do Mercado-Tsunami. Inchando desde os anos 80, o \u2018mercado\u2019 desmascara a encena\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil de um show pol\u00edtico como o de Bras\u00edlia. N\u00e3o importa qu\u00e3o autorit\u00e1ria  a antiga Bras\u00edlia pare\u00e7a se vista de cima, o regime do mercado sempre se sobrepor\u00e1, ainda mais autorit\u00e1rio em sua arbitrariedade&#8230; <\/p>\n<p>Isso importa? N\u00e3o. Precisamos simplesmente concluir que a ess\u00eancia de Bras\u00edlia n\u00e3o consiste de sua arquitetura, mas da decis\u00e3o de mudar a sede do governo para o interior.<\/p>\n<p>Bras\u00edlia n\u00e3o \u00e9 uma decep\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um reencontro espetacular com um antigo ideal solista. Mais um \u00faltimo espasmo do que uma nova alvorada. Uma confirma\u00e7\u00e3o que este ideal, por agora, n\u00e3o \u00e9 mais cred\u00edvel&#8230; <\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o r\u00edgida da cidade teve resultados imprevis\u00edveis: Bras\u00edlia se tornou recordista de dem\u00eancia, div\u00f3rcios e mortes rodovi\u00e1rias (autoestradas perfeitas, maus condutores, sem limites m\u00e1ximos de velocidade). Porque todos os diplomatas estavam alojados em um edif\u00edcio residencial, esses apartamentos se viraram nos anos 80 o ber\u00e7o do punk no Brasil: uma alta concentra\u00e7\u00e3o de adolescentes internacionais com os tipos de fitas de m\u00fasica apropriadas. <\/p>\n<p>A estrutura clara tornou relativamente f\u00e1cil a ocupa\u00e7\u00e3o da cidade pelo regime militar em 1964: Bras\u00edlia se tornou um <em>panopticum<\/em> ortogonal \u2013 a utopia singular, substrato para uma ditadura. <\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-12\" class=\"x-section bg-image parallax\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; height: 45vh; background-image: url(https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/1336_DFa.jpg); background-color: transparent;\" data-x-element=\"section\" data-x-params=\"{&quot;type&quot;:&quot;image&quot;,&quot;parallax&quot;:true}\"><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; width: 100%;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>Patrim\u00f4nio<\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>Embora as asas da planta de avi\u00e3o da Bras\u00edlia ainda n\u00e3o estejam terminadas, o projeto todo foi listado como Patrim\u00f4nio Mundial da UNESCO em 1987. O que come\u00e7ou cinquenta anos atr\u00e1s como um prot\u00f3tipo de uma nova era, virou uma rel\u00edquia. Agora o desenho \u00e9 altamente relevante, at\u00e9 mesmo fascinante, embora por raz\u00f5es muito diferentes: como \u2018preservar\u2019 o que \u00e9 moderno, ou em outras palavras, como parar a modernidade sobre seus pr\u00f3prios trilhos <em>[how do you stop modernity in its tracks]<\/em>? <\/p>\n<p>O lobby para Bras\u00edlia ter o status de Patrim\u00f4nio Mundial, come\u00e7ou imediatamente ap\u00f3s a conclus\u00e3o da primeira parcela e foi iniciado pelo pr\u00f3prio presidente Kubitschek. Isso o faz duplamente um vision\u00e1rio: n\u00e3o s\u00f3 construiu a nova capital, mas tamb\u00e9m conseguiu ter seu hero\u00edsmo capturado para a posteridade pela UNESCO. <\/p>\n<p>Mas como a modernidade pode ser detida? Segundo a UNESCO, a fuselagem e as asas do projeto da Bras\u00edlia devem ser preservadas para sempre. Agora os apartamentos s\u00e3o o lar dos habitantes mais ricos da cidade \u2013 s\u00e3o os metros quadrados mais caros de Bras\u00edlia, talvez devido ao seu estatuto de patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>Permanece bizarro que a linguagem e a tipologia do modernismo se provou insuport\u00e1vel nas \u00e1reas para as quais foram destinadas. Na Europa, os apartamentos de habita\u00e7\u00e3o social s\u00e3o demolidos a uma velocidade vertiginosa, mas prosperam em climas e culturas onde eles realmente n\u00e3o se encaixam: Zanzibar, Cingapura, Rio! As 130 superquadras de Bras\u00edlia se tornaram uma colagem original do socialismo \u2018<em>hardcore<\/em>\u2019 dos anos 60, permeados por zonas neoliberais de conforto, uma am\u00e1lgama \u00fanica de elementos incompat\u00edveis. <\/p>\n<p>Templos gregos ainda est\u00e3o de p\u00e9 ap\u00f3s tr\u00eas mil anos sem muita manuten\u00e7\u00e3o e s\u00e3o, portanto, f\u00e1ceis de serem preservados. Uma <em>villa<\/em> em Pomp\u00e9ia permanece, depois de dois mil anos, ainda um tanto habit\u00e1vel, e uma casa do Palladio, com cinco s\u00e9culos, ainda exp\u00f5e uma intelig\u00eancia tang\u00edvel. <\/p>\n<p>Mas a Casa Rietveld-Schr\u00f6der, sem ainda um s\u00e9culo de idade, j\u00e1 \u00e9 prec\u00e1ria e menos \u2018viva\u2019 do que os prot\u00f3tipos anteriores. A modernidade \u00e9 fundamentalmente ef\u00eamera, nunca teve a inten\u00e7\u00e3o de durar. Na melhor das hip\u00f3teses, a arquitetura moderna \u00e9 uma membrana m\u00ednima separando uma por\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o para, temporariamente, torn\u00e1-lo \u00fatil para alguma finalidade espec\u00edfica. A est\u00e9tica do moderno \u00e9 uma constela\u00e7\u00e3o de nuances que se destina a ser transit\u00f3ria.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-14\" class=\"x-section bg-image parallax\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; height: 45vh; background-image: url(https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/6.jpg); background-color: transparent;\" data-x-element=\"section\" data-x-params=\"{&quot;type&quot;:&quot;image&quot;,&quot;parallax&quot;:true}\"><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; width: 100%;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>A UNESCO repetidamente amea\u00e7a tirar o estatuto de patrim\u00f4nio quando um lugar ou seus arredores se tornam drasticamente ou visivelmente modernos. Dresden perdeu o status pois uma nova ponte colocou em risco a bela paisagem protegida do rio. S\u00e3o Petersburg est\u00e1 prestes a perd\u00ea-lo por causa da constru\u00e7\u00e3o de uma torre da empresa Gazprom. <\/p>\n<p>Cansada dessa frente de batalha sem fim, a UNESCO est\u00e1 desenvolvendo uma nova defini\u00e7\u00e3o para \u201c<em>Historic Urban Landscape<\/em>\u201d [Paisagem Urbana Hist\u00f3rica]: o patrim\u00f4nio n\u00e3o \u00e9 mais visto como um \u00fanico objeto ou um conjunto urbano, mas como \u2018todas as camadas naturais e hist\u00f3ricas de uma \u00e1rea; vazios, infraestrutura, processos s\u00f3cias, culturais e econ\u00f4micas\u2019. Talvez Bras\u00edlia seja um dos maiores testes para esta nova defini\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na exposi\u00e7\u00e3o CRONOCAOS <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> constatamos que o intervalo entre o \u2018agora\u2019 e o \u2018preservado\u2019 diminuiu temporalmente. Logo, o patrim\u00f4nio se tornar\u00e1 prospectivo em vez de retrospectivo. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia j\u00e1 chegou nesse momento. Uma proibi\u00e7\u00e3o p\u00fablica Federal de 1992 <em>[Nota de Tradu\u00e7\u00e3o: para denominar essa proibi\u00e7\u00e3o foi usado o temo \u201coekaze\u201d em holand\u00eas, que remete a um ato do Czar]<\/em> exige que qualquer adi\u00e7\u00e3o ao \u2018avi\u00e3o\u2019 seja desenhada por Niemeyer, ent\u00e3o com 85 anos. A partir desse momento, os desenhos do Niemeyer passaram, por defini\u00e7\u00e3o, a ser Patrim\u00f4nio Mundial. O que lhe possibilitou ser ele pr\u00f3prio, talvez, a maior amea\u00e7a \u00e0 sua reputa\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma. <\/p>\n<p>As adi\u00e7\u00f5es mais recentes do Niemeyer s\u00e3o desplicentes, \u00e0s vezes desagrad\u00e1veis, raramente convincentes e situadas em algum lugar do vasto espectro entre o sublime e o in\u00fatil. Assim como no \u2018<em>estilo tardio Willem De Kooning<\/em>\u2019, suas obras recentes nos fazem pensar se ainda existe um c\u00e9rebro funcional guiando a m\u00e3o do mestre, ou se a \u2018m\u00e3o\u2019 mesmo assumiu seu pr\u00f3prio controle.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 40px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-16\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; width: 100%;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/ufo_DF1.jpeg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>OVNI<\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>Por fim, encontro-me curioso com a Bras\u00edlia \u2018errada\u2019. Acontece que exatamente no epicentro do moderno \u2013 um ex-ministro chamou-lhe &#8220;A Capital da Era de Aqu\u00e1rios&#8221; \u2013 existe tanto espa\u00e7o para a burocracia como para a maior concentra\u00e7\u00e3o de seitas e m\u00edsticos. <\/p>\n<p>A maior dessas seitas, a Vale Do Amanhecer, foi criada pela Tia Neiva que, como motorista de caminh\u00e3o, foi uma das pioneiras da cidade. Em nenhum lugar do mundo, diz a seita, a crosta da terra \u00e9 mais fina; em nenhum outro lugar, a dist\u00e2ncia entre a superf\u00edcie e o turbilh\u00e3o de magma \u00e9 menor do que em Bras\u00edlia. Uma atra\u00e7\u00e3o excelente n\u00e3o somente para os crentes terrestres, mas tamb\u00e9m para discos voadores que \u2013 flutuando sobre o lago \u2013 carregam a energia do globo e, eventualmente, podem pousar na \u00e1gua. <\/p>\n<p>O pr\u00e9dio da seita parece um playground infantil gigante, um labirinto de curvas suaves, desenhadas no ch\u00e3o pelos pr\u00f3prios fundadores \u2013 n\u00e3o muito diferente do \u00faltimo trabalho do Niemeyer. Ao p\u00f4r do sol, os seguidores se re\u00fanem em trajes de <em>Star Trek<\/em> e assumem seus lugares na dan\u00e7a. <\/p>\n<p>Encontro-me secretamente pensando que eu mesmo gostaria de acreditar ou em arquitetura ou em discos voadores.\n<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 30px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>FIM<\/h3>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h6>REM KOOLHAAS,<\/h6>\n<p>Arquiteto holand\u00eas; ganhador do Pr\u00eamio Pritzker de Arquitetura em 2000; co-fundador e s\u00f3cio do <a href=\"http:\/\/oma.eu\/\" target=\"_blank\">OMA<\/a><\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text\" style=\"\" ><p>NOTA:<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> A \u2018preserva\u00e7\u00e3o\u2019 da Bras\u00edlia toca meu interesse atual em patrim\u00f4nio, expressado, entre outros, na CRONOCAOS, um manifesto de heran\u00e7a criado para a Bienal de Veneza de Arquitetura de 2010.<br \/>\nCRONOCAOS \u00e9 sobre o tamanho impressionante da parte do mundo que, de alguma forma, est\u00e1 sujeita a \u2018preserva\u00e7\u00e3o\u2019, preserva\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural e natural. Conforme a nossa contagem mais escrupulosa, esta \u2018preserva\u00e7\u00e3o\u2019 vale atualmente para doze por cento da superf\u00edcie da terra. O mundo n\u00e3o pensou suficiente sobre essa nova \u2013 sempre crescente \u2013 circunst\u00e2ncia: no futuro, metade do mundo vai ter que mudar radicalmente para atender a todas as novas exig\u00eancias, enquanto a outra metade inevitavelmente fica presa no passado. Tempo de inatividade na qual os canais de Amsterd\u00e3 \u2013 desde o reconhecimento da UNESCO em 2011, depois de muito pouca como\u00e7\u00e3o \u2013 tamb\u00e9m fazem parte .<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00a9Revista Centro\/2016.\u00a0Todos os direitos reservados aos editores e autores originais, e pela reprodu\u00e7\u00e3o em idioma portugu\u00eas aos respons\u00e1veis pela tradu\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o do texto, sendo vedada a reprodu\u00e7\u00e3o no todo ou em parte sem a pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 75px 0 0 0;\"><\/div><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" >&nbsp;<\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-19\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; width: 100%;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/OH_DF.jpeg\" ><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":2605,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"template-blank-4.php","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2483"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2483"}],"version-history":[{"count":29,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2483\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2677,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2483\/revisions\/2677"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2605"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}