{"id":1332,"date":"2015-12-02T22:11:02","date_gmt":"2015-12-02T22:11:02","guid":{"rendered":"http:\/\/revistacentro.org\/?page_id=1332"},"modified":"2016-08-16T23:48:32","modified_gmt":"2016-08-16T23:48:32","slug":"latour","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/latour\/","title":{"rendered":"FRENTE A GAIA &#8211; Introdu\u00e7\u00e3o do novo livro do antrop\u00f3logo Bruno Latour, in\u00e9dito em portugu\u00eas"},"content":{"rendered":"<div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 55px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h6><span style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #000000;\">POR\u00a0<span style=\"color: #808080;\">BRUNO LATOUR<\/span><\/span><\/span><\/h6>\n<h6><span style=\"color: #000000;\">TRADU\u00c7\u00c3O<\/span>\u00a0<span style=\"color: #808080;\">GUILHERME GIUFRIDA<\/span><\/h6>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 5px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h1><span style=\"color: #000000;\">FRENTE A GAIA<\/span><\/h1>\n<\/div><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3><span style=\"color: #808080;\">Introdu\u00e7\u00e3o do novo livro do antrop\u00f3logo Bruno Latour, in\u00e9dito em portugu\u00eas<\/span><\/h3>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 55px 0 0 0;\"><\/div><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" >&nbsp;<\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-2\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: px 0px 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><div  class=\"x-video player vimeo\" data-x-element-mejs=\"{&quot;poster&quot;:&quot;&quot;}\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" data-x-video-options=''><div class=\"x-video-inner video\/vimeo \"><video class=\"x-mejs has-stack-styles\" preload=\"auto\"><source src=\"https:\/\/vimeo.com\/60064456\" type=\"video\/vimeo\"><\/video><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px 0% 0px 0; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 55px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><p style=\"color: #000;\">Tudo come\u00e7ou com um movimento de dan\u00e7a que se imp\u00f4s a mim, h\u00e1 v\u00e1rios anos, do qual n\u00e3o consegui me desfazer. Uma dan\u00e7arina, enquanto fugia de costas para escapar de algo que devia lhe parecer terr\u00edvel, n\u00e3o cessava de lan\u00e7ar para tr\u00e1s, de relance, olhares cada vez mais inquietos, sempre correndo, como se sua fuga acumulasse em suas costas obst\u00e1culos que atrapalhavam cada vez mais seus movimentos, at\u00e9 o limite em que foi for\u00e7ada a virar-se completamente, e ali, suspensa, im\u00f3vel, os bra\u00e7os pendurados, ela percebia vir ao seu encontro algo ainda mais assustador do que aquilo de que fugira \u2013 ao ponto de for\u00e7\u00e1-la a esbo\u00e7ar um gesto de recuo. Ao fugir de um horror, ela encontrara um outro, em parte criado por sua fuga.<\/p>\n<p style=\"color: #000;\">Eu estava convencido de que aquela dan\u00e7a exprimia o esp\u00edrito do tempo; ela resumia em uma s\u00f3 situa\u00e7\u00e3o, para mim muito perturbadora, aquilo de que os Modernos haviam em um primeiro momento fugido, a avers\u00e3o arcaica pelo passado, e isto a que eles deveriam hoje defrontar-se, a irrup\u00e7\u00e3o de uma figura enigm\u00e1tica, fonte de um horror que n\u00e3o estava mais atr\u00e1s dele, mas sim a sua frente. A irrup\u00e7\u00e3o deste monstro, meio ciclone, meio Leviat\u00e3, que, em princ\u00edpio, apelidei com um nome bizarro: \u201cCosmocolosso <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>\u201d.<\/p>\n<p style=\"color: #000;\">Antes de fundi-lo muito rapidamente nesta outra figura t\u00e3o controversa sobre a qual eu meditara lendo James Lovelock, a saber, Gaia. Naquele momento, eu n\u00e3o podia mais me esquivar: era preciso compreender aquilo que se apresentava a mim sob a forma particularmente angustiante de uma for\u00e7a ao mesmo tempo m\u00edtica, cient\u00edfica, pol\u00edtica e provavelmente tamb\u00e9m religiosa.<\/p>\n<p style=\"color: #000;\">Como n\u00e3o conhe\u00e7o nada de dan\u00e7a, precisei de alguns anos para encontrar em St\u00e9phanie Ganachaud a int\u00e9rprete ideal desse movimento <a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Enquanto isso, sem saber o que fazer com a minha obsess\u00e3o pela figura do Cosmocolosso, convenci alguns amigos pr\u00f3ximos a criar a partir dela uma pe\u00e7a de teatro sobre o assunto, dando origem a <em>Ga\u00efa Global Circus<\/em> <a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Nessa \u00e9poca, por uma dessas coincid\u00eancias que n\u00e3o deveriam surpreender \u00e0queles perseguidos por uma obsess\u00e3o, o comit\u00ea de confer\u00eancias Gifford me pediu para proferir, em 2013 em Edimburgo, um ciclo de seis confer\u00eancias sob o t\u00edtulo, tamb\u00e9m muito enigm\u00e1tico, de \u201creligi\u00e3o natural\u201d. Como resistir a uma oferta dessas, a qual William James, Alfred North Whitehead, John Dewey, Henri Bergson, Hannah Arendt e muitos outros haviam atendido <a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>? N\u00e3o seria essa a ocasi\u00e3o ideal para desenvolver pela argumenta\u00e7\u00e3o aquilo que a dan\u00e7a e o teatro me haviam anteriormente for\u00e7ado a explorar? Ao menos esse meio n\u00e3o me seria muito estranho. Ainda mais por ter acabado de escrever uma investiga\u00e7\u00e3o sobre os modos de exist\u00eancia, sob a influ\u00eancia cada vez mais importante de Gaia <a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. S\u00e3o estas confer\u00eancias, modificadas, ampliadas e completamente reescritas, que se encontrar\u00e1 neste livro.<\/p>\n<p style=\"color: #000;\">Se eu as publico mantendo o g\u00eanero, o estilo e o tom da confer\u00eancia, \u00e9 porque esta antropologia dos Modernos a qual eu persigo h\u00e1 quarenta anos se encontra cada vez mais em resson\u00e2ncia com o que podemos chamar de Novo Regime Clim\u00e1tico <a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Eu resumo nessa express\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o presente na qual o ambiente f\u00edsico que os Modernos haviam considerado como assegurado, o solo sobre o qual sua hist\u00f3ria sempre se desenrolara, tornou-se inst\u00e1vel. Como se o cen\u00e1rio tivesse sido montado sobre o palco para compartilhar o enredo com os atores. A partir disso, tudo muda nas formas de se contar as hist\u00f3rias, a ponto de politizar tudo aquilo que outrora parecia pertencer \u00e0 natureza \u2013 figura que, por sua vez, se torna um enigma cada vez mais indecifr\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"color: #000;\">H\u00e1 anos que eu e meus colegas temos tentado absorver esta introdu\u00e7\u00e3o da natureza e das ci\u00eancias na pol\u00edtica; t\u00ednhamos desenvolvido v\u00e1rios m\u00e9todos para acompanhar e at\u00e9 cartografar as controv\u00e9rsias ecol\u00f3gicas. Mas todos esses trabalhos especializados nunca conseguiram estremecer as certezas daqueles que continuavam a imaginar um mundo social sem objeto frente a um mundo natural sem humano \u2013 e sem cientistas para conhec\u00ea-lo. Enquanto nos esfor\u00e7\u00e1vamos para desatar alguns n\u00f3s da epistemologia e da sociologia, todo o edif\u00edcio, cujas fun\u00e7\u00f5es eles haviam distribu\u00eddo, ca\u00eda por terra, ou, mais precisamente, desabava sobre a Terra. Est\u00e1vamos ainda discutindo as liga\u00e7\u00f5es poss\u00edveis entre humanos e n\u00e3o-humanos, o papel dos cientistas na produ\u00e7\u00e3o da objetividade, a import\u00e2ncia eventual das gera\u00e7\u00f5es futuras, o fato de que os pr\u00f3prios pesquisadores multiplicavam as inven\u00e7\u00f5es para falar da mesma coisa; todavia, numa escala totalmente outra, surgiam: o \u201cAntropoceno\u201d, a \u201cgrande acelera\u00e7\u00e3o\u201d, os \u201climites planet\u00e1rios\u201d, a \u201cgeohist\u00f3ria\u201d, os \u201cpontos de inflex\u00e3o\u201d [\u201c<em>tipping points<\/em>\u201d] as \u201czonas cr\u00edticas\u201d, todos esses termos surpreendentes e que parecem necess\u00e1rios, os quais, pouco a pouco, ir\u00edamos encontrar para compreender esta Terra que parece reagir as nossas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"color: #000;\">Minha disciplina de origem \u2013 a sociologia ou, melhor, a antropologia das ci\u00eancias \u2013 encontra-se hoje convencida pela evid\u00eancia amplamente compartilhada segundo a qual a antiga Constitui\u00e7\u00e3o que repartia os poderes entre ci\u00eancia e pol\u00edtica tornou-se obsoleta. Como se tiv\u00e9ssemos passado de um Antigo Regime a um Novo marcado pela irrup\u00e7\u00e3o multiforme da quest\u00e3o <em>dos climas <\/em>e, algo ainda mais desconhecido, de sua liga\u00e7\u00e3o com o <em>governo. <\/em>\u00c9 no sentido mais amplo dessas express\u00f5es que os historiadores da geografia s\u00f3 utilizavam no contexto da \u201cteoria dos climas\u201d de Montesquieu, que, h\u00e1 muito tempo se tornou obsoleta. Bruscamente, todo mundo pressente que um outro <em>Esp\u00edrito das leis da Natureza<\/em> est\u00e1 por emergir e \u00e9 preciso come\u00e7ar a redigi-lo se desejamos sobreviver \u00e0s for\u00e7as desencadeadas por este Novo Regime. A esse trabalho coletivo de explora\u00e7\u00e3o esta obra gostaria de contribuir.<\/p>\n<p style=\"color: #000;\">Gaia \u00e9 apresentada aqui como a oportunidade de um retorno para a Terra, permitindo uma vers\u00e3o diferenciada das respectivas qualidades que podemos exigir das ci\u00eancias, das politicas e das religi\u00f5es, enfim trazidas para defini\u00e7\u00f5es mais modestas e mais terrestres de suas antigas voca\u00e7\u00f5es. (&#8230;)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"color: #707070;\">[Esse artigo \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o do novo livro <i>Face \u00e0 Gaia,<\/i> do antrop\u00f3logo Bruno Latour. Rec\u00e9m publicado na Fran\u00e7a, o texto ainda \u00e9 in\u00e9dito em portugu\u00eas. Sobre o conceito de Gaia, al\u00e9m dos livros do autor, ver, por exemplo, Isabelle Stangers (<i>No tempo das cat\u00e1strofes<\/i>) para quem: \u201cGaia foi assim batizado por James Lovelock e Lynn Margulis no in\u00edcio dos anos 70. Eles incorporavam pesquisas que contribuem para esclarecer o denso conjunto de rela\u00e7\u00e3o, articulando o que as disciplinas cient\u00edficas tinham o h\u00e1bito de tratar separadamente: os seres vivos, os oceanos, a atmosfera, o clima, os solos mais ou menos f\u00e9rteis. Dar um nome, Gaia, a esse agenciamento de rela\u00e7\u00f5es, era insistir sobre duas consequ\u00eancias dessas pesquisas. Aquilo de que dependemos e que foi com frequ\u00eancia definido como \u201cdado\u201d, o enquadramento globalmente est\u00e1vel de nossas hist\u00f3rias e de nossos c\u00e1lculos, \u00e9 produto de uma hist\u00f3ria de coevolu\u00e7\u00e3o, cujos primeiros artes\u00e3os e verdadeiros autores permanentes foram as in\u00fameras popula\u00e7\u00f5es de microorganismos. E Gaia, &#8216;planeta vivo&#8217;, deve ser reconhecida como um &#8216;ser&#8217;, e n\u00e3o assimilada a uma soma de processos (&#8230;): ela \u00e9 dotada n\u00e3o apenas de uma hist\u00f3ria, mas tamb\u00e9m de um regime de atividades pr\u00f3prio, oriundo das m\u00faltiplas e emaranhadas maneiras pelas quais os processos que constituem s\u00e3o articulados uns aos outros\u201d. Ou ver tamb\u00e9m Deborah Danowski e Eduardo Viveiro de Castro (<i>H\u00e1 mundo por vir?: ensaio sobre os medos e os fins<\/i>): \u201cA transforma\u00e7\u00e3o\u00a0 dos humanos em for\u00e7a geol\u00f3gica, ou seja, em um fen\u00f4meno &#8216;objetivo&#8217;, em um objeto &#8216;natural&#8217;, em um &#8216;contexto&#8217; ou &#8216;ambiente&#8217; condicionante, paga assim com a intrus\u00e3o de Gaia no mundo humano, dando ao Sistema Terra a forma amea\u00e7adora de um sujeito hist\u00f3rico, um agente pol\u00edtico, uma pessoa moral\u201d]\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"color: #000;\">(Trecho de: <em>Face \u00e0 Ga\u00efa. Huit conf\u00e9rences sur le nouveau r\u00e9gime climatique.<\/em> Paris: \u00c9ditions La D\u00e9couverte, outubro de 2015; pp. 9-12)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"color: #000;\">\u00a9 \u00c9ditions La D\u00e9couverte, 2015<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.editionsladecouverte.fr\">www.editionsladecouverte.fr<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"color: #000;\">\n<h6>Bruno Latour,<\/h6>\n<p> antrop\u00f3logo franc\u00eas, professor do Institut d&#8217;\u00e9tudes politiques de Paris (Sciences Po), autor de, entre diversos livros, <em>Jamais fomos modernos<\/em> (Ed. 34, 1991).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"color: #000;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Bruno Latour, <em>Kosmokoloss <\/em>(2013), reproduzido na r\u00e1dio alem\u00e3. O texto da pe\u00e7a assim como a maior parte dos meus artigos citados neste livro est\u00e3o dispon\u00edveis em vers\u00e3o final ou provis\u00f3ria atrav\u00e9s do site: &lt;<a href=\"http:\/\/www.bruno-latour.fr\">www.bruno-latour.fr<\/a>&gt;.<\/p>\n<p style=\"color: #000;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Encenado em 12 de fevereiro de 2013, filmado por Jonathan Michel, dispon\u00edvel atrav\u00e9s do link &lt;<a href=\"http:\/\/www.vimeo.com\/60064456\">www.vimeo.com\/60064456<\/a>&gt;.<\/p>\n<p style=\"color: #000;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Trabalho coletivo conduzido desde a p\u00e1scoa de 2010 pelos diretores Chlo\u00e9 Latour e Fr\u00e9d\u00e9rique A\u00eft-Touati; com os atores Claire Astruc, Jade Collinet, Matthieu Protin e Luigi Cerri; e Pierre Daubigny, autor do texto <em>Ga\u00efa Global Circus<\/em>.<\/p>\n<p style=\"color: #000;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> As seis confer\u00eancias est\u00e3o dispon\u00edveis atrav\u00e9s do site das confer\u00eancias Gifford da Universidade de Edimburgo, &lt;<a href=\"http:\/\/www.ed.ac.uk\">www.ed.ac.uk<\/a>&gt;. Sobre a hist\u00f3ria dessas confer\u00eancias e do tema da \u201creligi\u00e3o natural\u201d, bastante enigm\u00e1tica aos olhos dos franceses, ver Larry Witham, <em>The Measure of God<\/em>, 2005.<\/p>\n<p style=\"color: #000;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Bruno Latour, <em>Enqu\u00eate sur les modes d\u2019existence<\/em>, 2012.<\/p>\n<p style=\"color: #000;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> A express\u00e3o derivou de um termo introduzido por Stefan Aykut e Amy Dahan, <em>Gouverner le climat?<\/em>, 2015, para designar a maneira muito particular e, segundo eles, pouco eficaz, de tentar \u201cgovernar o clima\u201d.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 500px 0 0 0;\"><\/div><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" >&nbsp;<\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":2187,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"template-blank-4.php","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1332"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1332"}],"version-history":[{"count":31,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1332\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2234,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1332\/revisions\/2234"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2187"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1332"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}