{"id":1326,"date":"2015-12-02T22:08:38","date_gmt":"2015-12-02T22:08:38","guid":{"rendered":"http:\/\/revistacentro.org\/?page_id=1326"},"modified":"2016-08-16T19:32:23","modified_gmt":"2016-08-16T19:32:23","slug":"eficiencia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/eficiencia\/","title":{"rendered":"O EFICIENTE MOTOR DO STATUS QUO &#8211; Desdobrando a efici\u00eancia dentro da sustentabilidade capitalista"},"content":{"rendered":"<div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h6>TEXTO <span style=\"color: #808080;\">RAPHAEL GRAZZIANO<\/span><\/h6>\n<h6>FOTOS\u00a0<span style=\"color: #808080;\">PEDRO VANNUCCHI<\/span><\/h6>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 6px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h1><span style=\"color: #000000;\">O EFICIENTE MOTOR DO STATUS QUO<\/span><\/h1>\n<\/div><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3><span style=\"color: #808080;\">Desdobrando a efici\u00eancia dentro da sustentabilidade capitalista<\/span><\/h3>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 10px 0 0 0;\"><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>Para o otimismo tecnol\u00f3gico contempor\u00e2neo, qualquer problema teria uma solu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica poss\u00edvel; no caso da crise ecol\u00f3gica a despontar, essa resposta caberia \u00e0 efici\u00eancia. Por meio dela, garantir\u00edamos a preserva\u00e7\u00e3o do ambiente ao economizarmos recursos naturais e energ\u00e9ticos; a efici\u00eancia seria o rompimento com pr\u00e1ticas de consumo excessivo e indevido. Esse texto pretende interrogar a validade dessa ecologia centrada na efici\u00eancia \u2013 para apontar a sua insufici\u00eancia na crise ecol\u00f3gica, ou mesmo seu protagonismo na reprodu\u00e7\u00e3o do econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>O exame da ideia de efici\u00eancia pode soar contraintuitivo, sobretudo se considerados os esfor\u00e7os cada vez mais generalizados de redu\u00e7\u00e3o no uso de energia, \u00e1gua e demais recursos naturais. Segundo dados da Royal Institution of Chartered Surveyors, 40% do consumo de mat\u00e9rias-primas se d\u00e1 na constru\u00e7\u00e3o civil; al\u00e9m disso, a opera\u00e7\u00e3o dos edif\u00edcios e os setores ligados a sua constru\u00e7\u00e3o ainda s\u00e3o considerados respons\u00e1veis por cerca de 30% das emiss\u00f5es de gases do efeito estufa.<\/p>\n<p>Parece coerente, pois, em meio a t\u00e3o vultoso consumo, pensar a efici\u00eancia no uso de recursos como t\u00e1tica para manter a integridade do ambiente e ao mesmo tempo prover as benesses de um crescimento econ\u00f4mico prudente. Al\u00e9m disso, se considerarmos os ciclos de obsolesc\u00eancia comercialmente programados e o desperd\u00edcio estruturalmente projetado, a efici\u00eancia n\u00e3o levaria apenas ao debate sobre o uso socialmente adequado de recursos, mas tamb\u00e9m \u00e0s ra\u00edzes da disfun\u00e7\u00e3o produtiva atual. Assim, a partir dessa concep\u00e7\u00e3o socialmente disseminada, poder\u00edamos supor at\u00e9 que a efici\u00eancia \u00e9 uma cr\u00edtica radical \u00e0 cultura capitalista do desperd\u00edcio.<\/p>\n<p>No entanto, ao desdobrarmos a no\u00e7\u00e3o de efici\u00eancia, revelam-se contradi\u00e7\u00f5es que a distanciam dessa cr\u00edtica radical: muito pelo contr\u00e1rio, a efici\u00eancia \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da produ\u00e7\u00e3o capitalista. Se colocada entre os polos de preserva\u00e7\u00e3o e agress\u00e3o ao ambiente, defendemos a atra\u00e7\u00e3o da efici\u00eancia pelo segundo, como argumentaremos a seguir.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-2\" class=\"x-section bg-image parallax\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; height: 33vh; background-image: url(https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/IMG_4529_03102013_\u00a9pedrovannucchib.jpg); background-color: transparent;\" data-x-element=\"section\" data-x-params=\"{&quot;type&quot;:&quot;image&quot;,&quot;parallax&quot;:true}\"><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; width: 100%;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>Conflu\u00eancia entre ambiental e  econ\u00f4mico<\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>Como discurso oficial, a aproxima\u00e7\u00e3o entre sustentabilidades ambiental e econ\u00f4mica aparece no Relat\u00f3rio Brundtland, em 1987. H\u00e1 uma reordena\u00e7\u00e3o conceitual que permite o anteriormente il\u00f3gico. At\u00e9 ent\u00e3o, crescimento econ\u00f4mico e integridade ambiental eram intrinsicamente conflituosos: o primeiro significava aumento da extra\u00e7\u00e3o de recursos para a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, e com isso igual intensifica\u00e7\u00e3o da deteriora\u00e7\u00e3o do meio ambiente. Com o Relat\u00f3rio, parece n\u00e3o mais haver um campo em disputa, mas um jogo harm\u00f4nico de fatores: surge o &#8220;desenvolvimento sustent\u00e1vel&#8221;, formulando a equa\u00e7\u00e3o na qual avan\u00e7o tecnol\u00f3gico e crescimento econ\u00f4mico t\u00eam como produto a redu\u00e7\u00e3o da pobreza e o estancamento da crise ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Mas, para essa reorganiza\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica do problema, todos devem ceder. &#8220;Economia n\u00e3o \u00e9 meramente a produ\u00e7\u00e3o de riquezas, e ecologia n\u00e3o \u00e9 meramente a prote\u00e7\u00e3o da natureza&#8221;; cria-se uma no\u00e7\u00e3o de consenso arquitetado, como se o recuo \u2013 suposto, pois nunca posto em pr\u00e1tica \u2013 na voracidade das margens de lucro tivesse como contrapartida razo\u00e1vel uma ecologia ciente de seu devido lugar e que sabe guardar sil\u00eancio quando atrapalha demais os ciclos de produ\u00e7\u00e3o e consumo. Na ret\u00f3rica da cria\u00e7\u00e3o de consenso, somos salvos pela corda do enforcado.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-4\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; width: 100%;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/IMG_4945_08112013_\u00a9pedrovannucchib.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>Ecoefici\u00eancia <\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>A partir dos anos 90 surge o Fator X, no qual X representa um aumento de efici\u00eancia e &#8220;desmaterializa\u00e7\u00e3o da economia&#8221; com valor vari\u00e1vel entre 4 e 50 vezes, a depender do proponente \u2013 veja-se, por exemplo, o livro <em>Natural Capitalism<\/em>, de Paul Hauken, Amory Lovins e Hunter Lovins. Nesse debate, chegou-se a aventar a possibilidade de que o crescimento econ\u00f4mico era potencialmente infinito caso esses ganhos fossem alcan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Essa aproxima\u00e7\u00e3o entre sustentabilidade ambiental e econ\u00f4mica \u00e9 poss\u00edvel porque a efici\u00eancia \u00e9 tanto redu\u00e7\u00e3o de recursos quanto de custos. Al\u00e9m de sua justificativa ambiental, essa aproxima\u00e7\u00e3o representa, portanto, um interesse corporativo por produzir processos similares, mas com menores disp\u00eandios.<\/p>\n<p>Assim, a efici\u00eancia \u00e9 uma garantia a longo prazo da seguran\u00e7a do investimento, a partir da posterga\u00e7\u00e3o de riscos, na medida em que o sistema produtivo se torna menos dependente de recursos. Nesse sentido, garante-se a manuten\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de reprodu\u00e7\u00e3o social, na qual a mesma base energ\u00e9tica e produtiva poderia continuar em funcionamento por um tempo extra, adiando custosas mudan\u00e7as. Fique claro: mudan\u00e7as essas que n\u00e3o t\u00eam nada de revolucion\u00e1rias e n\u00e3o representam a crise do capital, como apontado por Zizek no texto reproduzido neste n\u00famero, e adiamento esse que pode ser ilus\u00f3rio, como indicaremos mais \u00e0 frente.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao mercado imobili\u00e1rio, a sustentabilidade ambiental, sobretudo aquela caucionada pelas mais diversas certifica\u00e7\u00f5es de atua\u00e7\u00e3o internacional, pode conferir a um empreendimento diversas vantagens competitivas, como o aumento do valor de comercializa\u00e7\u00e3o do metro quadrado e sua menor deprecia\u00e7\u00e3o em per\u00edodos de crise, assim como a redu\u00e7\u00e3o da taxa de vac\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Sustentabilidade seria ent\u00e3o, por um lado, ambiental: a menor utiliza\u00e7\u00e3o de recursos garantiria que sua deple\u00e7\u00e3o no ambiente n\u00e3o seja t\u00e3o dr\u00e1stica. Por outro lado, econ\u00f4mica: a efici\u00eancia reduz custos, d\u00e1 sobrevida a uma fonte de recursos e previne processos produtivos de crises de abastecimento.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-6\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; width: 100%;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/peu1.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>Ecomoderniza\u00e7\u00e3o <\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>Nesse movimento do pensamento em que novas no\u00e7\u00f5es operativas s\u00e3o gestadas h\u00e1 ainda mais um elemento: a constitui\u00e7\u00e3o, dentro da sociologia ambiental, da chamada <em>moderniza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica<\/em>. Essa teoria surgiu no in\u00edcio dos anos 80, capitaneada por Joseph Huber e Martin J\u00e4nicke e, num segundo momento, por Gert Spaargaren, Arthur Mol e Frederick Buttel, em meio ao esp\u00edrito ecol\u00f3gico-econ\u00f4mico que culminou no Relat\u00f3rio Brundtland e a partir dali tornar-se-ia hegem\u00f4nico.<\/P><\/p>\n<p>Para nossos interesses, destacamos tr\u00eas caracter\u00edsticas da moderniza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica.<\/P><\/p>\n<p>Primeira: a abordagem do problema ambiental dentro da esfera produtiva. N\u00e3o h\u00e1 mais qualquer oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica vigente, tal como houve nas primeiras experi\u00eancias ecol\u00f3gicas na d\u00e9cada de 60; antes, aceita-se a sua conforma\u00e7\u00e3o e dela se desenvolve o controle de danos ao ambiente: o modelo produtivo \u00e9 o mesmo, mas o ciclo \u00e9 posto em marcha de modo mais eficiente, gastando menos energia e utilizando materiais que geram menos res\u00edduos. Como atrativo para as corpora\u00e7\u00f5es, sustenta-se que pr\u00e1ticas inovadoras do mercado seriam capazes de n\u00e3o s\u00f3 diminuir o consumo de recursos e o descarte de res\u00edduos, como tamb\u00e9m aumentar os lucros das empresas.<\/P><\/p>\n<p>Segunda: a crise ecol\u00f3gica \u00e9 vista como crise do Estado, que, por sua organiza\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica, seria incapaz de legislar sobre o meio ambiente. Novamente, a din\u00e2mica do mercado permitiria sua autorregula\u00e7\u00e3o e a tomada da dianteira na redu\u00e7\u00e3o dos riscos ao ambiente. O Estado passaria a ser, inclusive, um dos maiores inimigos do movimento ambientalista, devido \u00e0s cat\u00e1strofes geradas por grandes obras de infraestrutura; o mercado, por seu turno, estaria pleno de alian\u00e7as bem-sucedidas entre ambientalistas e corpora\u00e7\u00f5es.<\/P><\/p>\n<p>Terceira: o esfor\u00e7o em colocar a ecologia como um campo decis\u00f3rio aut\u00f4nomo, na qual suas pautas seriam indiferentes ao espectro pol\u00edtico tradicional, inaugurando uma nova frente ideol\u00f3gica distinta do tradicional par liberalismo-comunismo.<\/P><\/p>\n<p>Se \u00e9 assim que sintetizamos a posi\u00e7\u00e3o dos modernizadores ecol\u00f3gicos, \u00e9 para apontar a incredulidade com que lemos seus argumentos, cuja parcialidade \u00e9 em larga medida insuficiente para tratar das experi\u00eancias sociais de luta ambiental. Num esfor\u00e7o de arrazoamento, poder\u00edamos pensar essa oposi\u00e7\u00e3o ao Estado como uma cr\u00edtica a uma organiza\u00e7\u00e3o do poder que levou a Chernobyl, ou, mais recentemente, a Belo Monte. Mas \u00e9 assombroso constatar o desvio de casos cabais como Bhopal e Cubat\u00e3o, para exemplos da \u00e9poca, ou, na pauta do dia, Mariana.<\/P><\/p>\n<p>Ainda em rela\u00e7\u00e3o aos modernizadores ecol\u00f3gicos, \u00e9 igualmente estranho n\u00e3o considerarem as grandes obras de infraestrutura como resposta a demandas de mercado, pois a circula\u00e7\u00e3o de mercadorias depende de uma organiza\u00e7\u00e3o territorial que n\u00e3o pode ser realizada pelos instrumentos dispon\u00edveis \u00e0 iniciativa privada. Do mesmo modo, \u00e9 sintom\u00e1tica a defesa feita da ecologia como esfera aut\u00f4noma, para logo apontarem, no mesmo par\u00e1grafo e sem hesita\u00e7\u00e3o, como uma consequ\u00eancia l\u00f3gica e j\u00e1 esperada, as &#8220;afinidades eletivas&#8221; entre economia e ecologia, ou verem o novo &#8220;sujeito transformador&#8221; no &#8220;cidad\u00e3o-consumidor&#8221;, dois termos aproximados sem peias.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-8\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; width: 100%;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/peu2.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>Fetichismo verde <\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>Os modernizadores ecol\u00f3gicos mant\u00eam intacta a cren\u00e7a no potencial emancipat\u00f3rio do modelo t\u00e9cnico moderno, desconsiderando sua vincula\u00e7\u00e3o estreita com a otimiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o industrial \u2013 historicamente tomada em seu potencial de maximiza\u00e7\u00e3o de lucro e n\u00e3o em sua pot\u00eancia de generaliza\u00e7\u00e3o de acesso a bens de necessidades sociais b\u00e1sicas. Os modernizadores ecol\u00f3gicos conformam o par economia-ecologia, e \u00e9 por esse diapas\u00e3o que se afina a carga simb\u00f3lica da sustentabilidade.<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse o uso da efici\u00eancia para otimizar a produ\u00e7\u00e3o e aumentar lucros, a sustentabilidade liga-se ainda a diversas puls\u00f5es do <em>know-how<\/em> liberal: veja-se, por exemplo, o certificado norte-americano Leadership in Energy and Environmental Design, que assegura pontos para os projetos &#8220;inovadores&#8221; e cuja inten\u00e7\u00e3o da homofonia do acr\u00f4nimo LEED com o verbo <em>to lead<\/em> \u00e9 expl\u00edcita; veja-se tamb\u00e9m a cidade de Masdar, no Golfo P\u00e9rsico, cujo significado em \u00e1rabe \u00e9 &#8220;Fonte&#8221;, no sentido de origem e partida de uma nova era sustent\u00e1vel \u2013 e tamb\u00e9m, por que n\u00e3o, de uma nova matriz produtiva, em busca da diversifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para escapar da escassez insinuada no horizonte; veja-se, por fim, a King Abdullah Economic City, cuja interpreta\u00e7\u00e3o da homofonia entre seu acr\u00f4nimo KAEC e a sobremesa <em>cake <\/em>\u00e9 deixada para livre exerc\u00edcio criativo do leitor.<\/P><\/p>\n<p>Par\u00eanteses: antes de continuarmos a puxar nosso fio, notemos que a divulga\u00e7\u00e3o publicit\u00e1ria da King Abdullah Economic City representa muito bem a espetaculariza\u00e7\u00e3o da sustentabilidade urbana contempor\u00e2nea, com <em>site<\/em> apresentado por um<em> trailer <\/em>dotado de trilha sonora de suspense levemente \u00e9tnica (como conv\u00e9m \u00e0s cidades globais), gr\u00e1ficos e planos vertiginosos, al\u00e9m de cita\u00e7\u00f5es de Nelson Mandela suficientemente inofensivas para serem encontradas em qualquer <em>social media<\/em>. Em rela\u00e7\u00e3o a seu plano urbano, a efici\u00eancia como no\u00e7\u00e3o central de sustentabilidade legitima aqui morfologias regressivas: zonas monofuncionais, centro comercial de arranha-c\u00e9us <em>high tech<\/em> fotog\u00eanicos e setor residencial de mans\u00f5es.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-10\" class=\"x-section bg-image parallax\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; height: 45vh; background-image: url(https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/IMG_1131_\u00a9pedrovannucchiac.jpg); background-color: transparent;\" data-x-element=\"section\" data-x-params=\"{&quot;type&quot;:&quot;image&quot;,&quot;parallax&quot;:true}\"><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; width: 100%;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>Paradoxo de Jevons<\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>Em meio a aumentos de taxa de lucro e fetichismos verdes, poder\u00edamos ao menos pensar que, independentemente do ponto de vista pol\u00edtico adotado, garantimos, atrav\u00e9s da efici\u00eancia, a redu\u00e7\u00e3o da agress\u00e3o ao ambiente, e isso j\u00e1 seria justicativa suficiente para seu emprego. Pois bem, aqui tampouco h\u00e1 consenso. E a linhagem te\u00f3rica \u00e9 inesperada e insuspeita: trata-se de um dos fundadores da Escola Neocl\u00e1ssica, o ingl\u00eas William Stanley Jevons.<\/p>\n<p>Suas an\u00e1lises da efici\u00eancia foram redescobertas pelo ecomarxismo no in\u00edcio desse s\u00e9culo, sobretudo pelo grupo em torno da revista norte-americana <em>Monthly Review<\/em>. O economista ingl\u00eas se deparou com um impasse: em vista da possibilidade da escassez do carv\u00e3o acabar com a supremacia econ\u00f4mica brit\u00e2nica do fim do s\u00e9culo XIX, sua an\u00e1lise n\u00e3o encontrava escapat\u00f3ria para o problema: a amea\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 era real, como tampouco poderia ser resolvida por novas solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. Isso porque, e aqui se conforma o Paradoxo com seu nome, Jevons argumentava que <em>aumentos de efici\u00eancia levam a aumentos de demanda no longo prazo. <\/em>A inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica apenas levaria \u00e0 acelera\u00e7\u00e3o do consumo do carv\u00e3o.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o foi aceita mesmo em sua \u00e9poca, pois podia ser empiricamente verificada no cotidiano industrial. Jevons demonstrava como ganhos de efici\u00eancia eram reaproveitados para a expans\u00e3o econ\u00f4mica, permitindo o dom\u00ednio de uma maior fatia do mercado e, no limite, o aumento do consumo dos bens produzidos, dispon\u00edveis agora a pre\u00e7os mais baixos. Inova\u00e7\u00f5es na efici\u00eancia do uso de carv\u00e3o nas m\u00e1quinas \u00e0 vapor, por exemplo, teriam levado ao crescimento significativo da produ\u00e7\u00e3o de bens e \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho por maquinaria: permitia-se, assim, neg\u00f3cios comercialmente invi\u00e1veis em modelos anteriores.<\/p>\n<p>O caos energ\u00e9tico e a transforma\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica advogados por Jevons n\u00e3o se tornaram realidade: ele n\u00e3o contava com o estabelecimento de uma nova matriz energ\u00e9tica por meio do petr\u00f3leo, o qual chancelou a continuidade do progresso econ\u00f4mico. Mas percebeu as contradi\u00e7\u00f5es que a efici\u00eancia encerrava em si, mesmo se n\u00e3o fosse de modo algum anticapitalista. Citamos um trecho do artigo &#8220;Capitalism and the curse of energy efficiency: the return of the Jevons Paradox&#8221;, publicado por John Bellamy Foster, Brett Clark e Richard York na <em>Monthly Review<\/em> de novembro de 2010 (que tem acesso <em>online<\/em> livre, tradu\u00e7\u00e3o nossa):<\/p>\n<p>\u201cUm sistema econ\u00f4mico voltado ao lucro, acumula\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o econ\u00f4mica sem fim tender\u00e1 a usar qualquer ganho de efici\u00eancia ou redu\u00e7\u00e3o de custos para expandir a escala geral de produ\u00e7\u00e3o. A inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica ser\u00e1, portanto, fortemente dirigida a esses mesmos fins expansionistas&#8230; Como vimos, economias em materiais e energia, no contexto de um dado processo de produ\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o em nada novas; elas s\u00e3o parte da hist\u00f3ria cotidiana do desenvolvimento capitalista&#8230; Qualquer no\u00e7\u00e3o de que a redu\u00e7\u00e3o na taxa de transfer\u00eancia de materiais, por unidade do rendimento nacional, seja um fen\u00f4meno novo \u00e9, portanto, &#8216;profundamente ahist\u00f3rica&#8217;.\u201d<\/p>\n<p>Assim, como Bellamy et al. (2010) defendem, acreditar que a efici\u00eancia seja uma nova forma de encarar a produ\u00e7\u00e3o de bens, opondo-se ao desperd\u00edcio sist\u00eamico, \u00e9 um julgamento ahist\u00f3rico: todo o curso do capitalismo, desde suas m\u00e1quinas mais primordiais, \u00e9 o do desenvolvimento de efici\u00eancias para permitir a expans\u00e3o econ\u00f4mica. A efici\u00eancia n\u00e3o pode ser uma sa\u00edda de nosso impasse atual porque foi justamente ela que nos trouxe aqui.<\/p>\n<p>Entretanto, embora numa leitura sociol\u00f3gica o Paradoxo de Jevons tenha argumentos suficientes, sua aceita\u00e7\u00e3o na economia \u00e9 pequena. Por tratar da soma dos comportamentos dos empres\u00e1rios, o Paradoxo \u00e9 dificilmente verific\u00e1vel em termos quantitativos: sua an\u00e1lise macroecon\u00f4mica tem pouca repercuss\u00e3o num momento em que a economia \u00e9 pensada por meio de agentes isolados se regulando mutuamente.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-12\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; width: 100%;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/IMG_0651_\u00a9pedrovannucchia.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3>O que fazer, sen\u00e3o efici\u00eancia?<\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>Tal como em Jevons, parecemos n\u00e3o ter sa\u00edda, pois qualquer a\u00e7\u00e3o tenderia a resultados catastr\u00f3ficos. Mesmo se pensarmos, por exemplo, em acelerar a efici\u00eancia a um ponto em que sua apropria\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica esteja sempre atrasada, gerando como resto a preserva\u00e7\u00e3o do ambiente, ao fim e ao cabo a conta ainda parece n\u00e3o fechar. <\/p>\n<p>A efici\u00eancia \u00e9 um conceito sempre obsoleto: qualquer mercadoria j\u00e1 est\u00e1 defasada em seu pr\u00f3prio lan\u00e7amento (e aqui tamb\u00e9m inclu\u00edmos a arquitetura), v\u00edtima do desenvolvimento t\u00e9cnico acelerado. Se seu emprego \u00e9 um elemento cong\u00eanito \u00e0 produ\u00e7\u00e3o capitalista e \u00e0 expans\u00e3o econ\u00f4mica, ent\u00e3o o problema \u00e9 manter a efici\u00eancia como elemento central da ecologia, sem complementa\u00e7\u00e3o de outras frentes, de maneira que novas l\u00f3gicas produtivas, n\u00e3o restritas ao <em>modus operandi<\/em> capitalista, possam se estabelecer.<\/p>\n<p>Nem as dimens\u00f5es, nem o escopo desse texto pretendem avalizar um novo caminho para a sustentabilidade. Contudo, com a cr\u00edtica da efici\u00eancia, n\u00e3o queremos defender um salto para tr\u00e1s, um neoludismo a se opor ao desenvolvimento t\u00e9cnico, mas somente apontar que a refunda\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel das cidades precisa dar conta de outros aspectos al\u00e9m da busca un\u00edvoca de otimiza\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica \u2013 que, em campanhas como as de pintura branca para coberturas, apresenta uma de suas caricaturas mais impudentes.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 40px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h6>Raphael Grazziano,<\/h6>\n<p> arquiteto, doutorando pela FAU\/USP, com pesquisa sobre os fundamentos da sustentabilidade difundida na arquitetura contempor\u00e2nea.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 10px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h6>Pedro Vannucchi,<\/h6>\n<p> fot\u00f3grafo e arquiteto formado pela FAU\/USP.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 40px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":1817,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"template-blank-4.php","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1326"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1326"}],"version-history":[{"count":32,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1326\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2239,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1326\/revisions\/2239"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1817"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1326"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}