{"id":1300,"date":"2015-12-02T21:50:44","date_gmt":"2015-12-02T21:50:44","guid":{"rendered":"http:\/\/revistacentro.org\/?page_id=1300"},"modified":"2015-12-16T13:30:23","modified_gmt":"2015-12-16T13:30:23","slug":"ffurtado","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/ffurtado\/","title":{"rendered":"TRAJETO MELANC\u00d3LICO DE FABIO FURTADO &#8211; Por que, numa cidade com 20 milh\u00f5es de pessoas, algumas capturam meu olhar e outras n\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<div id=\"x-section-1\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: px 0px 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/fabio1.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #000000;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 55px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><p><h6><span style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #ffffff;\">POR <\/span><span style=\"color: #999999;\">RODRIGO VILLELA<\/span><\/span><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6><span style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #ffffff;\">FOTOS <\/span><span style=\"color: #999999;\">FABIO FURTADO<\/span><\/span><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 2px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h1><span style=\"color: #ffffff;\">TRAJETO MELANC\u00d3LICO<\/span><\/h1>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 4px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3><span style=\"color: #999999;\">Por que, numa cidade com 20 milh\u00f5es de pessoas, algumas capturam meu olhar e outras n\u00e3o?<\/span><\/h3>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 40px 0 0 0;\"><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" ><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><p><P style=\"color: #ffffff;\">No percurso de construir um olhar, o andarilho F\u00e1bio Furtado retoma o g\u00eanero da fotografia de rua. Furtado constituiu uma linguagem pontuada por uma atmosfera melanc\u00f3lica, que  constr\u00f3i pontes onde os rios est\u00e3o submersos e sabe ser reveladora sem ser cruel. Para o cr\u00edtico Eder Chiodetto, \u201cAndar \u00e0 deriva numa metr\u00f3pole significa reconstru\u00ed-la, dot\u00e1-la de novos significados\u201d. Apesar de as paisagens de Furtado serem em muito facilmente localiz\u00e1veis, em S\u00e3o Paulo, Berlim ou Porto Alegre, seu foco est\u00e1 nas gentes. Mais precisamente nos momentos quando o humano se faz presente e as cidades s\u00e3o as pessoas que nela habitam. Sempre com camadas de vazios, de sil\u00eancio. Nesse sentido, sua obra n\u00e3o constr\u00f3i novas cidades a cada registro, mas sim m\u00faltiplas vis\u00f5es de pessoas, em seus momentos mais \u00edntimos e ao mesmo tempo cotidianos, quando esquecem que algu\u00e9m est\u00e1 olhando ou quando isso j\u00e1 n\u00e3o mais importa.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 10px 0 0 0;\"><\/div><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" ><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><p>&nbsp;<\/p>\n<p><P style=\"color: #ffffff;\">\u201cOs homens est\u00e3o c\u00e1 fora, est\u00e3o na rua.<\/p>\n<p><P style=\"color: #ffffff;\">A rua \u00e9 enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.<\/p>\n<p><P style=\"color: #ffffff;\">Mas tamb\u00e9m na rua n\u00e3o cabe todos os homens.<\/p>\n<p><P style=\"color: #ffffff;\">A rua \u00e9 menor que o mundo.<\/p>\n<p><P style=\"color: #ffffff;\">O mundo \u00e9 grande.\u201d<\/p>\n<p><P style=\"color: #ffffff;\">[Carlos Drummond de Andrade, \u201cMundo grande\u201d, em <em>Sentimento do mundo<\/em>]\n<\/P><br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-3\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: px 0px 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Parada_Gay_SP_2015-7a.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #000000;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" ><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><p style=\"color: #ffffff;\"><strong>O que \u00e9 mais caracter\u00edstico de fotografar na rua?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #ffffff;\">Com o celular como instrumento consigo fazer coisas que com uma c\u00e2mera maior n\u00e3o conseguiria, sem chamar tanto a aten\u00e7\u00e3o. Posso ser mais an\u00f4nimo, me misturar melhor ao espa\u00e7o onde estou. H\u00e1 um resgate do g\u00eanero da fotografia de rua. E, na rua, eu ando. E encontro atmosferas \u2013 a luz \u2013 e, sobretudo, as pessoas. Fico andando e olhando, atento a uma certa empatia. Logo uma figura se destaca \u2013 ou pela posi\u00e7\u00e3o, pela composi\u00e7\u00e3o que se forma, ou pela emo\u00e7\u00e3o provocada; pela energia de uma cena. Ent\u00e3o eu procuro fotografar, e \u00e9 como se fosse um presente. Quando eu ganho uma cena e n\u00e3o fotografo, \u00e9 como se estivesse cometendo um pecado. Vai que daqui a pouco come\u00e7a a n\u00e3o aparecer?<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"color: #ffffff;\"><strong>Como se d\u00e1 sua rela\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica com o transporte p\u00fablico? <\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #ffffff;\">No carro n\u00e3o d\u00e1 pra fotografar. Perde-se o contato direto e o tempo de olhar para as coisas, n\u00e3o h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o mais imediata com a cidade. J\u00e1 conheci gente no transporte p\u00fablico, j\u00e1 tive casos, praticamente namorei. No carro n\u00e3o existe essa rela\u00e7\u00e3o com a cidade. Por que, numa cidade com 20 milh\u00f5es de pessoas, algumas capturam meu olhar e outras n\u00e3o? Isso sempre me causou certa curiosidade, algo meio adolescente. \u00c9 uma amostragem um pouco misteriosa, tem a ver com o acaso tamb\u00e9m, com uma certa sincronicidade, de voc\u00ea estar ali junto com outras pessoas num determinado momento. E ent\u00e3o olhar, se relacionar com o que est\u00e1 \u00e0 sua volta, e fotografar.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><\/div><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" ><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><p style=\"color: #ffffff;\"><strong>E como voc\u00ea entra na vida do outro sem permiss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #ffffff;\">Estou na rua, os outros tamb\u00e9m. A rela\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com o espa\u00e7o, a come\u00e7ar pelo seu espa\u00e7o interior, a sua intimidade, e o que disso se liga com o espa\u00e7o exterior, \u00e9 algo constante a permear tudo. Eu tamb\u00e9m estou sendo observado, fa\u00e7o parte do horizonte sens\u00edvel de outras pessoas. Mas se trata da fotografia de uma pessoa. \u00c9 representa\u00e7\u00e3o, e a\u00ed cabe a voc\u00ea compor segundo o que voc\u00ea est\u00e1 sentindo e fazer isso com dignidade. Caso contr\u00e1rio, o dem\u00e9rito \u00e9 todo meu, porque a pessoa, o &#8220;assunto&#8221;, que \u00e9 um jeito meio desumano de falar, n\u00e3o tem muito o que fazer, para al\u00e9m da empatia que gerou \u2013 a foto \u00e9 minha. Eu quero acreditar que nas fotos que fa\u00e7o as pessoas est\u00e3o dignificadas de alguma forma; e se n\u00e3o est\u00e3o, n\u00e3o publico.<\/p>\n<p style=\"color: #ffffff;\"><strong>Voc\u00ea chega a seguir pessoas na rua?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #ffffff;\">Sim. Quando aparece uma figura que me chama a aten\u00e7\u00e3o, mas que de alguma forma n\u00e3o est\u00e1 &#8220;completa&#8221;, quando n\u00e3o consigo o momento certo, ou erro o tempo, sigo tentando fotografar, tentando encontrar na composi\u00e7\u00e3o de fotos sucessivas algo correspondente ao que senti vendo a cena. J\u00e1 segui pessoas interessantes sem conseguir nada. Tem a ver com a perda de certa espontaneidade do primeiro momento, quando surge a imagem. Voc\u00ea reage meio instintivamente, comp\u00f5e mais com a sensa\u00e7\u00e3o e o sentimento. Uma vez segui uma dupla por metade do centro. Foi incr\u00edvel, quase como entrar num filme, porque minha imagina\u00e7\u00e3o obviamente come\u00e7a a criar, a pressentir uma hist\u00f3ria que n\u00e3o precisa ter nada a ver com a hist\u00f3ria de fato daquelas pessoas. Crio a hist\u00f3ria de um encontro, do nosso encontro na cidade e do que isso evoca em mim. Fui atr\u00e1s at\u00e9 os dois desaparecerem, no Glic\u00e9rio [bairro do centro de S\u00e3o Paulo]. E n\u00e3o consegui foto alguma.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-5\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: px 0px 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/fabio41.jpg\" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Parada_Gay_SP_2015-35a.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #000000;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" ><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><p style=\"color: #ffffff;\"><strong>Como \u00e9 sua rela\u00e7\u00e3o com S\u00e3o Paulo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #ffffff;\">S\u00e3o Paulo ainda me parece uma cidade de tropeiros, com essa beleza de ser espa\u00e7o de passagem. Uma jun\u00e7\u00e3o entre o mar e o interior. Imaginar que S\u00e3o Paulo um dia foi uma cidade fluvial, com seus in\u00fameros rios e afluentes, a maior parte atualmente enterrada ou canalizada, me faz pensar que a luz deve ter sido muito bonita. Ainda tem alguma coisa disso por a\u00ed, em alguns momentos do dia surge uma luz meio rosa, meio azul. As sa\u00eddas fotogr\u00e1ficas tem muito do meu mundo circunstancial, do que estou sentindo num determinado momento. Nunca sei exatamente para onde vou, quando saio. Eu simplesmente saio e me guio pelas sensa\u00e7\u00f5es \u2013 pode ser a luz daquele dia, que me remete a alguma lembran\u00e7a ou a alguma parte da cidade; pode ser um sentimento, que me faz querer algum tipo de espa\u00e7o e conviv\u00eancia. Ainda assim, quase sempre, se n\u00e3o estou no centro \u2013 do Bom Retiro ao Glic\u00e9rio \u2013 estou pela Paulista.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><\/div><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" ><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><p style=\"color: #ffffff;\"><strong>Quais s\u00e3o as peculiaridades de cada regi\u00e3o da cidade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #ffffff;\">O centro velho e outras regi\u00f5es mais antigas t\u00eam uma configura\u00e7\u00e3o urbana que predisp\u00f5e mais \u00e0 conviv\u00eancia. \u00c9 diferente da mistura da Avenida Paulista. O centro \u00e9 mais desgra\u00e7ado. \u00c9 de fato mais misturado, e tamb\u00e9m mais sofrido em muitos aspectos. Tem mais gente vagando, sem fazer nada. A Paulista, durante a semana principalmente, tem um corte mais trabalho, consumo. No centro as pessoas acabam convivendo mais, mesmo sem querer. V\u00e3o para andar de skate, vender alguma coisa, para sentar na escadaria do Municipal ou da Catedral da S\u00e9 e introspectar. Tem toda uma popula\u00e7\u00e3o africana nova. E tamb\u00e9m outros imigrantes, da Am\u00e9rica Latina, do Extremo Oriente, uma popula\u00e7\u00e3o muito heterog\u00eanea que fez do centro seu lugar. Sem falar no movimento sem teto, que ocupou v\u00e1rios pr\u00e9dios, e dos coletivos art\u00edsticos. Essas pessoas est\u00e3o convivendo. E o centro predisp\u00f5e a isso. A liberdade que sinto andando por ali eu n\u00e3o encontro em outros lugares da cidade. N\u00e3o tem a opress\u00e3o arquitet\u00f4nica horrorosa que domina boa parte do que \u00e9 novo em S\u00e3o Paulo. A Vila Madalena \u00e9 um saco, n\u00e3o tenho vontade de fotografar, parece um editorial, com tudo j\u00e1 muito preparado. A Vila Mariana, descendo, tanto para o Ibirapuera, como para o Cambuci, fica interessante. Mas o meio da Vila Mariana \u00e9 uma cat\u00e1strofe imobili\u00e1ria, assim como a nova Vila Romana, Lapa, Vila Ol\u00edmpia, Itaim&#8230; que est\u00e3o se transformando, pra pior. Ningu\u00e9m anda ou convive na rua, est\u00e3o todos dentro dos carros ou dos pr\u00e9dios.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-7\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: px 0px 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/fabio3.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #000000;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" ><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><p style=\"color: #ffffff;\"><strong>E esse mercado imobili\u00e1rio novo, voc\u00ea praticamente n\u00e3o fotografa? \u00c9 uma procura por um ideal de beleza?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #ffffff;\">Num edif\u00edcio de um arquiteto modernista, o humano est\u00e1 colocado naquele espa\u00e7o de uma maneira mais digna do que nessas novas constru\u00e7\u00f5es, nas quais o humano n\u00e3o est\u00e1 mais presente de fato; a pessoa n\u00e3o est\u00e1 sendo considerada em toda a sua complexidade. Ela at\u00e9 acredita que sim, porque tem quadra poliesportiva, muitas \u201cfacilidades\u201d, mas esses espa\u00e7os n\u00e3o foram feitos em torno de uma figura humana que tenha um espa\u00e7o interior muito presente. Em alguns outros lugares, mesmo em regi\u00f5es hoje ditas degradadas, como no entorno do Minhoc\u00e3o, basta olhar para as constru\u00e7\u00f5es e as cal\u00e7adas para ver que era uma outra concep\u00e7\u00e3o de vida, com mais tempo e mais espa\u00e7o. A arquitetura modernista misturava moradia com com\u00e9rcio e criava pra\u00e7as incomuns, como o Conjunto Nacional, integrado e aberto \u00e0 rua. O shopping fechado \u00e9 outra cat\u00e1strofe, tira as pessoas da cidade que habitam. Eu n\u00e3o consigo fotografar direito em shopping. Acabo sendo cr\u00edtico, ir\u00f4nico. \u00c9 como o carro, que afasta as pessoas de um contato mais afetivo e direto com a cidade.<\/p>\n<p style=\"color: #ffffff;\"><strong>Como voc\u00ea v\u00ea a dimens\u00e3o simb\u00f3lica da fotografia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #ffffff;\">Fotografia \u00e9 representa\u00e7\u00e3o, assim como a pintura, a escultura etc. \u00c9 portanto uma linguagem, uma forma de comunicar algo. A Nan Golding diz: \u201cFotografar \u00e9 uma forma de tocar algu\u00e9m, uma car\u00edcia\u201d. Para mim faz muito sentido, tem essa tentativa de fazer contato, apesar da fugacidade dos momentos. Mas ainda assim \u00e9 uma linguagem, um meio atrav\u00e9s do qual o seu universo pessoal se relaciona, simbolicamente, mediante determinadas formas, cores e geometrias, com os outros. E no caso da fotografia de rua, voc\u00ea faz isso a partir do contato com a cidade e com as pessoas. A cidade traz um dado de realidade muito grande e te chama \u00e0 vida real. Da\u00ed a necessidade de procurar uma abordagem sincera e n\u00e3o criar um &#8220;id\u00edlio&#8221;, tanto no sentido de que todo mundo tem que ser feliz quanto no de romantizar o que d\u00f3i. Tudo passa r\u00e1pido, a fotografia est\u00e1 constantemente falando de morte, como diz Susan Sontag. Da\u00ed assumir a tristeza e a beleza do que \u00e9 ef\u00eamero, pois o registro acontece e a pessoa vai embora. E voc\u00ea tamb\u00e9m vai embora, mais cedo ou mais tarde. A efemeridade desses momentos e dessas emo\u00e7\u00f5es me atraem muito.<\/p>\n<\/div><\/div><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" ><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><p style=\"color: #ffffff;\"><strong>Como seu trabalho procura contar hist\u00f3rias e n\u00e3o s\u00e3o ser meramente registro?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #ffffff;\">\u00c9 talvez a minha hist\u00f3ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que encontro e fotografo. \u00c9 um percurso, tem um antes e um depois. Carlos Moreira \u2013 a quem devo toda minha forma\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica \u2013 me chamou uma vez a aten\u00e7\u00e3o sobre a perda de um certo car\u00e1ter narrativo na fotografia contempor\u00e2nea. Se eu me ligo a uma figura, esta figura tem uma hist\u00f3ria. Se eu me interesso por algu\u00e9m na rua, me interesso pelo que est\u00e1 do lado dela tamb\u00e9m, ela est\u00e1 em um espa\u00e7o, e eu posso ou tentar abstra\u00ed-la do entorno, ou fazer dele mat\u00e9ria para a composi\u00e7\u00e3o. Evandro Carlos Jardim [artista pl\u00e1stico e tamb\u00e9m meu professor], me falou que uma das fun\u00e7\u00f5es dos largos na concep\u00e7\u00e3o urbana era impedir que uma cidade queimasse inteira, no caso de um inc\u00eandio. Hoje eles continuam trazendo uma forma de respiro, predispondo \u00e0 conviv\u00eancia. Isso tudo \u00e9 hist\u00f3ria, e posso levar em conta ao fotografar. A chamada &#8220;periferia&#8221; \u2013 n\u00e3o gosto muito desse termo, j\u00e1 que imediatamente estabelece uma escala de valores no espa\u00e7o urbano (periferia em rela\u00e7\u00e3o a que centro, exatamente&#8230;?) \u2013 tamb\u00e9m tem as pessoas convivendo mais. Elas ficam mais na rua, na cal\u00e7ada, conversando, trocando, andando, brincado. Nos Jardins [bairro nobre de S\u00e3o Paulo] n\u00e3o tem isso, n\u00e3o tem tanta mistura.<\/p>\n<p style=\"color: #ffffff;\"><strong>Por que voc\u00ea registra repetidamente elementos arquitet\u00f4nicos e pessoas solit\u00e1rias?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #ffffff;\">Pessoas sozinhas tem um dado de sil\u00eancio. Est\u00e3o mais voltadas pra dentro quando est\u00e3o sozinhas. E esse espa\u00e7o que elas assumem \u00e9 muito encantador. Mesmo num contexto ca\u00f3tico, essa dimens\u00e3o interior de cada um \u00e9 uma maneira de procurar alguma sa\u00edda, talvez a \u00fanica realmente v\u00e1lida. Onde fica o ser? \u00c9 desse ponto que pode surgir um verdadeiro di\u00e1logo, uma intera\u00e7\u00e3o. Meu trabalho tem a ver com essas paisagens interiores, mem\u00f3rias de origens, e do quanto disso se projeta nas pessoas e das pessoas para mim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text\" style=\"\" ><h6><span style=\"color: #ffffff;\">Rodrigo Villela,<\/span><\/h6>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\">formado em letras pela USP. Tem especializa\u00e7\u00e3o em edi\u00e7\u00e3o pela Universidade Complutense de Madri. Atua como editor e curador.<\/span><\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 10px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text\" style=\"\" ><h6><span style=\"color: #ffffff;\">Fabio Furtado,<\/span><\/h6>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\">fot\u00f3grafo, documentarista e dramaturgo; realiza os v\u00eddeos da Osesp e faz parte do Grupo P\u00e2ndega de Teatro.<\/span><\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 10px 0 0 0;\"><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-9\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: px 0px 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/fabio5.jpg\" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/IMG_2287a.jpg\" ><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":1648,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"template-blank-4.php","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1300"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1300"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1300\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2255,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1300\/revisions\/2255"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1648"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1300"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}