{"id":1090,"date":"2015-11-22T20:42:54","date_gmt":"2015-11-22T20:42:54","guid":{"rendered":"http:\/\/revistacentro.org\/?page_id=1090"},"modified":"2016-08-24T06:32:06","modified_gmt":"2016-08-24T06:32:06","slug":"airesmateus","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/airesmateus\/","title":{"rendered":"ENTREVISTA COM MANUEL AIRES MATEUS &#8211; Ra\u00edzes portuguesas, brasileiras"},"content":{"rendered":"<div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 85px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h6><span style=\"color: #999999;\">ENTREVISTA\u00a0<\/span><span style=\"color: #333333;\">GABRIEL KOGAN &amp;\u00a0RENATA MORI<\/span><\/h6>\n<h6><span style=\"color: #999999;\">COLABORA\u00c7\u00c3O <\/span><span style=\"color: #333333;\">RODRIGO VILLELA<\/span><\/h6>\n<h6><span style=\"color: #999999;\">FOTOS (DEMAIS PROJETOS)<\/span>\u00a0<span style=\"color: #333333;\">FERNANDO GUERRA<\/span><\/h6>\n<h6><span style=\"color: #999999;\">FOTOS CASA NA AREIA (DIVULGA\u00c7\u00c3O)<\/span>\u00a0<span style=\"color: #333333;\">NELSON GARRIDO<\/span><\/h6>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 5px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h1><span style=\"color: #000000;\">MANUEL AIRES MATEUS <span style=\"color: #999999;\">ENTREVISTA<\/span><\/span><\/h1>\n<\/div><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h3><span style=\"color: #808080;\">Ra\u00edzes portuguesas, brasileiras<\/span><\/h3>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 35px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p>O portugu\u00eas Manuel Aires Mateus articula, com rara habilidade de arquiteto e professor, pr\u00e1tica de projeto com cr\u00edtica hist\u00f3rica. Sua arquitetura e sua conversa nos conduz por inventivas an\u00e1lises de constru\u00e7\u00f5es e cidades nos mais diferentes tempos. Manoel tra\u00e7ou sua carreira em parceria com o irm\u00e3o, Francisco, e \u2013 apesar de manterem escrit\u00f3rios separados \u2013 ficaram conhecidos por um s\u00f3 nome, uma entidade: Aires Mateus. Juntos, coassinando projetos, se tornaram refer\u00eancia da gera\u00e7\u00e3o nascida nos anos 60 em Portugal, que atinge agora plena maturidade profissional.<\/p>\n<p>Enquanto a arquitetura contempor\u00e2nea se homogeneizou e dissolveu peculiaridades locais de clima e cultura, a arquitetura portuguesa soa ainda como uma pequena resist\u00eancia, dissonante da massa am\u00f3rfica de edif\u00edcios internacionais gen\u00e9ricos a dominarem as capitais globais. \u00c9 uma arquitetura com um mestre inating\u00edvel \u2013 \u00c1lvaro Siza \u2013 e um grande professor \u2013 Eduardo Souto de Moura. Como bem nos mostra os irm\u00e3os Aires Mateus, essa produ\u00e7\u00e3o, no entanto, extrapola em muito as duas refer\u00eancias can\u00f4nicas (que bem podem ser entendidas como Niemeyer e Mendes da Rocha); \u00e9 relativamente vasta, sobretudo, se tratando de um pa\u00eds com pouco mais de 10 milh\u00f5es de habitantes e longe de ser uma das pot\u00eancias econ\u00f4micas europeias.<\/p>\n<p>Nesta entrevista, realizada em seu est\u00fadio em Lisboa, Aires Mateus, o Manuel, nos oferece li\u00e7\u00f5es, em tempos de crise, sobre as origens de nossas arquiteturas, sobre nossos come\u00e7os. Sim. Nossas arquiteturas: a brasileira e a portuguesa, quem sabe tamb\u00e9m a sevilhana. Por vezes, se ocultarmos ou substituirmos os sujeitos (em alguns momentos, nem isso \u00e9 preciso) ter\u00edamos dificuldades em saber de qual arquitetura estamos falando. As origens da arquitetura moderna e contempor\u00e2nea portuguesa estariam no Brasil ou seriam as origens da arquitetura brasileira em Portugal?<\/p>\n<p>Sem saber por onde come\u00e7amos, as arquiteturas floresceram de forma estranhamente sincr\u00f4nica. Mas olhar para a arquitetura portuguesa parece como se ver num espelho. Por vezes s\u00f3 conseguimos notar diferen\u00e7as opostas; por outras, apenas semelhan\u00e7as. Temos a certeza de que algu\u00e9m est\u00e1 l\u00e1 atr\u00e1s desse espelho \u2013 ou do outro lado do mar sem fim \u2013 nos olhando de volta.<\/p>\n<p>Diante dessa indefini\u00e7\u00e3o de onde come\u00e7am o Brasil e Portugal na arquitetura, a nossa e a deles (e quem somos n\u00f3s ou eles aqui?), nos reconfortemos com o desassossego (no caso, a mensagem) de Fernando Pessoa: \u201cTodo come\u00e7o \u00e9 involunt\u00e1rio\u201d. A arquitetura brasileira j\u00e1 existia antes de come\u00e7ar. Entre suas ris\u00edveis semelhan\u00e7as e fundamentais diferen\u00e7as, a portuguesa existe com a brasileira. Pois. Correndo at\u00e9 ao fim do mundo, come\u00e7os e fins, mesmo, se misturam.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 58px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"manuel\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: px 0px 0px; width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/01-2a1.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h2>&#8220;Oscar sempre nos ensinou a fazer arquitetura pelo prazer de fazer e n\u00e3o como uma carga.&#8221;<\/h2>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div class=\"x-flexslider-shortcode-container with-container\"><div  class=\"x-flexslider x-flexslider-shortcode x-flexslider-shortcode-1\" data-x-element-slider=\"{&quot;animation&quot;:&quot;slide&quot;,&quot;reverse&quot;:false,&quot;slideTime&quot;:&quot;7000&quot;,&quot;slideSpeed&quot;:&quot;1000&quot;,&quot;controlNav&quot;:true,&quot;prevNextNav&quot;:true,&quot;slideshow&quot;:false,&quot;random&quot;:false,&quot;touch&quot;:true,&quot;pauseOnHover&quot;:false}\" style=\"padding-top: 65px; padding-right: 20px; padding-left: 20px; padding-bottom: 20px;\"><ul class=\"x-slides\"><li  class=\"x-slide\" >\n<p><strong>Assim como os portugueses n\u00e3o gostam muito de falar sobre o \u00c1lvaro Siza, os arquitetos brasileiros n\u00e3o gostam de falar do Oscar Niemeyer. Mas come\u00e7amos por aqui. Voc\u00ea sempre faz refer\u00eancias a Niemeyer. Como nasce o seu fasc\u00ednio por ele?<\/strong><\/P><\/p>\n<p><strong>Manuel Aires Mateus:<\/strong> Visitei um projeto de Niemeyer pela primeira vez em Belo Horizonte, na Pampulha, e fiquei impressionado com seu discurso arquitet\u00f4nico de independ\u00eancia, de liberdade; diferente de tudo que havia sido feito at\u00e9 aquele momento na hist\u00f3ria. Mais do que falar sobre o conjunto completo de edif\u00edcios de Niemeyer, \u00e9 necess\u00e1rio olhar algumas coisas em particular, principalmente at\u00e9 Bras\u00edlia. \u00c9 fascinante, nessas obras, sua capacidade de resumir aquilo que \u00e9 determinante em cada projeto. Niemeyer foca em alguns elementos centrais e o resto \u00e9 deixado como uma esp\u00e9cie de vazio. Temos apropria\u00e7\u00f5es do tempo mais r\u00e1pidas, mas, para a hist\u00f3ria, ficar\u00e1 s\u00f3 aquele primeiro gesto, que dura materialmente e que tamb\u00e9m durar\u00e1 como ideia.<\/p>\n<\/li><li  class=\"x-slide\" >\n<p><strong>E sobre o interesse particular por um projeto nunca constru\u00eddo de Niemeyer, a Casa Rothschild \u2013 por um tempo bastante desconhecida. Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o da obra de voc\u00eas com ela?<\/strong><\/P><\/p>\n<p>Foi uma casualidade trope\u00e7armos na Casa Rothschild porque ela foi pouco publicada. Numa p\u00e1gina de um livro, vimos os desenhos \u00e0 m\u00e3o. Havia qualquer coisa l\u00e1 sobre a ideia de fechar um canto; de, no infinito, determinar o limite e, depois, ter liberdade geom\u00e9trica por dentro. Essa liga\u00e7\u00e3o entre as duas coisas \u00e9 forte: por um lado, dizer que h\u00e1 um peda\u00e7o de terra, um peda\u00e7o do mundo, que deixa de ser utilizado; por outro, h\u00e1 a liberdade do gesto, no desenho do p\u00e1tio ou da piscina. Esse partido foi determinante para estudarmos a casa. Tentamos refazer o projeto a partir daqueles desenhos \u00e0 m\u00e3o e fizemos at\u00e9 uma maquete dele.<\/p>\n<\/li><li  class=\"x-slide\" >\n<p><strong>\u00c9 uma casa que se volta para dentro?<\/strong><\/P><\/p>\n<p>Se volta para dentro e para fora; e tem muito a ver com as possibilidades t\u00e9rmicas mediterr\u00e2neas. H\u00e1 essa ideia do sul da Europa e norte da \u00c1frica: todas as casas, desde as populares \u00e0s eruditas, da cultura romana \u00e0 cultura \u00e1rabe, t\u00eam se aproximado da no\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o central, contido, do p\u00e1tio. Isso para n\u00f3s \u00e9 um patrim\u00f4nio. O uso do p\u00e1tio tem a ver com o clima, mas tamb\u00e9m com a hist\u00f3ria. H\u00e1, portanto, algo muito po\u00e9tico \u2013 presente na pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o da <em>casa sevilhana<\/em>, mesmo tendo a ver com toda a zona do mediterr\u00e2neo \u2013 que \u00e9 come\u00e7ar um projeto pelo desenho de um peda\u00e7o de c\u00e9u; ou, de alguma maneira, privatizar um peda\u00e7o de c\u00e9u a partir do desenho de uma linha. E esta linha invis\u00edvel \u00e9 um p\u00e1tio em torno do qual n\u00f3s vamos construir a vila. Trata-se de um conceito antigo, mas que perdura na hist\u00f3ria e no nosso imagin\u00e1rio.<\/p>\n<\/li><li  class=\"x-slide\" >\n<p><strong>E isso est\u00e1 nessa casa de Niemeyer?<\/strong><\/P><\/p>\n<p>Um elemento forte na Rothschild \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o do precioso espa\u00e7o privado e Niemeyer faz isso de forma diferente do que quando se tra\u00e7ava a linha do c\u00e9u at\u00e9 ent\u00e3o. H\u00e1 tamb\u00e9m ali aquelas grandes portas criando uma rela\u00e7\u00e3o mais fluida com a paisagem. A aten\u00e7\u00e3o despertada pela obra vai muito do interesse natural por Niemeyer: a ligeireza da liberdade, poder desenhar porque \u00e9 um prazer desenhar. \u00c9 uma coisa lind\u00edssima, uma grande li\u00e7\u00e3o dele. Oscar sempre nos ensinou a fazer arquitetura pelo prazer de fazer e n\u00e3o como uma carga.<\/p>\n<\/li><li  class=\"x-slide\" >\n<p><strong>Essa obra de Niemeyer parece tangenciar a rela\u00e7\u00e3o entre a arquitetura portuguesa e brasileira. A origem das duas arquiteturas \u00e9 pr\u00f3xima, mas como analisar as diferen\u00e7as: a forma de tocar o terreno e a implanta\u00e7\u00e3o dos edif\u00edcios nas duas arquiteturas?<\/strong><\/P><\/p>\n<p>A portuguesa \u00e9 enraizada enquanto a brasileira \u00e9 leve. Mas, como o Brasil \u00e9 um pa\u00eds de dimens\u00f5es continentais, devemos antes definir: qual arquitetura brasileira estamos falando? Mesmo na arquitetura portuguesa \u2013 que \u00e9 uma coisa m\u00ednima \u2013, o norte e o sul n\u00e3o s\u00e3o as mesmas coisas. Portanto, \u00e9 sempre dif\u00edcil fazer essas generaliza\u00e7\u00f5es. Se pud\u00e9ssemos olhar de longe para os dois contextos, eu diria que a primeira diferen\u00e7a \u00e9 o clima. O brasileiro permite uma liberdade \u00e0 constru\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao exterior, diferente de qualquer contexto europeu. No fundo, essa diferen\u00e7a e essa liberdade acabam por criar uma estrada muito distante da portuguesa. Al\u00e9m disso, h\u00e1 mesmo diferen\u00e7as na maneira de como se toca o ch\u00e3o: a arquitetura portuguesa nasce no terreno; a brasileira flutua sobre o terreno. No Brasil, h\u00e1 a no\u00e7\u00e3o de que edif\u00edcio encosta no solo sempre com uma grande leveza, mas nunca \u00e9 uma continuidade dele.<\/p>\n<\/li><li  class=\"x-slide\" >\n<p><strong>Qual \u00e9 a import\u00e2ncia dessas peculiaridades da arquitetura brasileira?<\/strong><\/P><\/p>\n<p>H\u00e1 uma liberdade que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel em outro lugar. Um dos paradigmas disso \u00e9 o hall do Pal\u00e1cio do Itamaraty de Niemeyer, muito bonito com a escada redonda. Esse espa\u00e7o \u00e9, de um lado, fechado e, do outro, totalmente aberto para as rochas e jardins. Esse grau de liberdade foi uma influ\u00eancia importante para outras arquiteturas porque, depois, pudemos importar, n\u00e3o essa rela\u00e7\u00e3o com a natureza \u2013 j\u00e1 que n\u00e3o temos essa natureza, nem o clima \u2013, mas sim a capacidade de <em>ser livre <\/em>em rela\u00e7\u00e3o ao problema. A arquitetura \u00e9 sempre um gesto, um momento de intelig\u00eancia. Temos, muitas vezes, que entender bem o projeto e as condi\u00e7\u00f5es todas, nos afastarmos at\u00e9 certa dist\u00e2ncia, para depois termos a liberdade quase intuitiva de responder aos problemas com um gesto, definindo o projeto quase em um todo. Porque as condi\u00e7\u00f5es eram favor\u00e1veis, havia uma liberdade muito grande na obra do Niemeyer e isso \u00e9 uma aprendizagem grande para n\u00f3s a partir da obra dele.<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">.<\/span><\/li><li  class=\"x-slide\" >\n<p><strong>Falar sobre o Niemeyer foi um tabu para a arquitetura brasileira durante muito tempo. Ele era tudo e fazia tudo tamb\u00e9m.<\/strong><\/P><\/p>\n<p>Lembro-me de visitar Bras\u00edlia com a filha do L\u00facio Costa e ela disse uma coisa surpreendente para um europeu: \u201cO centro hist\u00f3rico ainda n\u00e3o est\u00e1 conclu\u00eddo\u201d. Para n\u00f3s o centro hist\u00f3rico tem centenas de anos e esse problema nunca seria colocado. Naquela altura, tinha a ideia do <em>Tempo do Niemeyer<\/em>, inclusive tamb\u00e9m de um <em>Niemeyer Hist\u00f3rico<\/em>. Havia ent\u00e3o o problema da perman\u00eancia dele e os jovens arquitetos ali me diziam que faltava trabalho no Brasil na \u00e9poca. Os portugueses t\u00eam posi\u00e7\u00f5es parecidas quando falamos do Siza. Estes monstros, no bom sentido \u2013 monstros intelectuais \u2013 fizeram tanto por n\u00f3s. A arquitetura portuguesa, se n\u00e3o fosse o Siza, n\u00e3o existiria, nem esta intera\u00e7\u00e3o da arquitetura portuguesa com o mundo. Essa capacidade da arquitetura portuguesa de se vender, de se promover, a partir de um pa\u00eds t\u00e3o pequeno, t\u00e3o perif\u00e9rico, com poucos meios e recursos econ\u00f4micos, existe porque existe um Siza. A gente quer o pai e quer matar o pai; quer que o pai nos abra a porta e quer mat\u00e1-lo ao mesmo tempo, essa \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o bem frequente.<\/p>\n<\/li><li  class=\"x-slide\" >\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel fazer uma analogia entre a escola portuguesa e a brasileira. Enquanto o Siza, como Niemeyer, \u00e9 um monstro sagrado, mas que tem certa dificuldade em constituir uma escola, o Souto de Moura \u00e9 uma esp\u00e9cie de Paulo Mendes com seus disc\u00edpulos.<\/strong><\/P><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">H\u00e1 muitos arquitetos em Portugal mais \u2018<em>soutomourianos\u2019<\/em> que o pr\u00f3prio Souto de Moura e com o Paulo as coisas s\u00e3o at\u00e9 piores. H\u00e1 uma continuidade hoje da Escola Paulista e isso tem muito a ver com <em>\u2018seguir o trabalho do Paulo Mendes da Rocha\u2019<\/em>. Com o Eduardo acontece o mesmo e ele \u00e9 capaz de fazer escola porque \u00e9 um extraordin\u00e1rio arquiteto. Ele sempre trabalhou na capacidade de construir e a partir de princ\u00edpios compreens\u00edveis para todos. N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa com o Siza, que desenha cada projeto como \u00fanico. H\u00e1 20 anos, era incr\u00edvel como o Siza, todos os dias, mudava tudo e cada projeto era totalmente diferente. Cada projeto era uma esp\u00e9cie de facada nos outros arquitetos. Esses grandes monstros s\u00e3o necess\u00e1rios para tamb\u00e9m, de alguma maneira, nos confrontarmos. \u00c9 normal situa\u00e7\u00f5es se estabelecerem a partir desse amor\/\u00f3dio: amor no bom sentido e \u00f3dio no sentido de grande respeito. A d\u00edvida de gratid\u00e3o que a arquitetura contempor\u00e2nea tem por Siza nunca ser\u00e1 paga e agora, simultaneamente, \u00e9 uma presen\u00e7a que n\u00e3o conseguimos nos afastar. Isso \u00e9 pesado.<\/p>\n<p><\/span><\/li><li  class=\"x-slide\" >\n<p><strong>O mesmo acontece em rela\u00e7\u00e3o a Niemeyer?<\/strong><\/P><\/p>\n<p>Estes Homens abriram uma forma muito clara para a liberdade de desenhar. Quando n\u00f3s nunca t\u00ednhamos pensado que aquilo era poss\u00edvel, de repente temos a percep\u00e7\u00e3o de mais uma maneira nova de fazer, de olhar para o mundo. Participei de uma mesa redonda no pavilh\u00e3o Serpentine de Eduardo Souto de Moura e \u00c1lvaro Siza, no qual, obviamente, era um obra muito &#8220;siziana&#8221;. Lembro-me da primeira rea\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ver nada. Aproximei-me com liberdade para reagir e, enquanto olhava, via l\u00e1 uma forma muito estranha, como se fosse um cesto virado ao contr\u00e1rio. Uma coisa muito estranha, pouco reconhec\u00edvel. Foram feitas, para esses pavilh\u00f5es, propostas mais f\u00e1ceis de serem apreendidas. Quando olh\u00e1vamos o Toyo Ito, sab\u00edamos que era o Toyo Ito e entend\u00edamos exatamente suas inten\u00e7\u00f5es. Era lind\u00edssimo o pavilh\u00e3o do japon\u00eas: rela\u00e7\u00f5es de beleza com a luz e a maneira como se constru\u00eda. E este do Souto de Moura e do Siza era estranho e eu, no come\u00e7o, at\u00e9 achei fundamentalmente feio. Era obviamente um objeto cativante, forte, mas feio. Depois, estive por ali umas horas e percebi que o problema n\u00e3o era o projeto. O pavilh\u00e3o era lind\u00edssimo. O problema era eu n\u00e3o ser capaz de entend\u00ea-lo, n\u00e3o tinha aquela porta aberta para esta maneira de desenhar e aquele desenho n\u00e3o era poss\u00edvel para mim ainda. A partir daquele ponto, passou a ser e vi l\u00e1 uma maneira nova de olhar. \u00a0Isso constitui o verdadeiro interesse na arquitetura: descobrimos qualquer coisa abrindo uma nova possibilidade em rela\u00e7\u00e3o ao mundo. Siza ou o Niemeyer imputaram essas coisas em quantidades muito grandes.<\/p>\n<\/li><li  class=\"x-slide\" >\n<p><strong>E sobre essa rela\u00e7\u00e3o entre o belo e o feio: muitas vezes a procura pelo o belo foi questionada ao longo da hist\u00f3ria da arquitetura brasileira. A pr\u00f3pria Lina Bo Bardi falava abertamente sobre a procura por uma arquitetura feia.<\/strong> <\/P><\/p>\n<p>Isso \u00e9 ret\u00f3rico. N\u00e3o h\u00e1 um poema brasileiro que diz que a beleza \u00e9 fundamental? Pronto. A beleza \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio ato da liberdade humana, da individualidade. A beleza \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o do homem, aquilo que \u00e9 \u00fanico. Sem beleza n\u00e3o h\u00e1 verdadeiramente arquitetura, como fato art\u00edstico. Esse discurso da Lina explicita, de qualquer forma, que os limites daquilo que n\u00f3s consideramos belo podem ser mudados. Essas arquiteturas, como da Lina Bo Bardi, muitas vezes, introduzem, de uma maneira brutal, algum gesto de banalidade, mas, mesmo assim, \u00e9 muito bonita. A arte j\u00e1 foi <em>povera<\/em>, <em>sporca<\/em>. H\u00e1, portanto, sempre uma procura pela est\u00e9tica nessas coisas. A beleza que me interessa n\u00e3o se reporta aos c\u00e2nones, nos quais o belo \u00e9 aceito com facilidade. Ao contr\u00e1rio, interessa-me a tentativa de alargar os c\u00e2nones do belo.<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">.<\/span><\/li><\/ul><\/div><\/div><\/div><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\"  src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/891525_436848326466478_1317523820_n.jpg\" ><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><p style=\"text-align: center;\">Casa Rothschild, Oscar Niemeyer, 1965<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"manuel\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: px 0px 0px; width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/3a.jpg\" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/1a.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h2>&#8220;A nossa arquitetura se liga tanto a tradi\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria mais erudita como da mais popular da arquitetura portuguesa.&#8221;<\/h2>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><div  class=\"x-columnize\" >\n<p><strong>A arquitetura dos irm\u00e3os Aires Mateus parece fazer refer\u00eancia \u00e0 cidadela portuguesa, com os volumes brancos, por vezes interligados por um \u00fanico eixo. H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o direta a isso?<\/strong><\/P><\/p>\n<p> Tentaria explicar de outra maneira. Nossa arquitetura tem sim uma rela\u00e7\u00e3o clara com a hist\u00f3ria portuguesa. Al\u00e9m disso, ela \u00e9 feita, por um lado, de uma realidade; por outro, da maneira como olhamos a realidade. Portanto as coisas n\u00e3o s\u00e3o, em si, s\u00f3 um fato isolado. Quando olhamos qualquer coisa, o que olhamos? Aquilo que l\u00e1 est\u00e1, mas tamb\u00e9m olhamos atrav\u00e9s da compreens\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es estabelecidas com tudo que n\u00f3s conhecemos. A realidade \u00e9, portanto, tamb\u00e9m uma realidade cultural. Assim, tentamos importar para a nossa atua\u00e7\u00e3o uma \u2018<em>rela\u00e7\u00e3o com preconceito\u2019<\/em>. O preconceito n\u00e3o no sentido castrador, mas no sentido de olhar como um transporte de nosso pr\u00f3prio conhecimento. A arquitetura se faz contendo tudo isso e suplementa a nossa hist\u00f3ria, a nossa rela\u00e7\u00e3o com o nosso territ\u00f3rio. Primeiro porque n\u00f3s, fundamentalmente, constru\u00edmos sempre aqui e, portanto, temos uma realidade geogr\u00e1fica. \u00c9 normal extrairmos dessa realidade geogr\u00e1fica experi\u00eancias afinadas durante s\u00e9culos. S\u00e3o coisas que resistiram ao tempo e, assim, estavam corretas. A nossa arquitetura se liga a essa tradi\u00e7\u00e3o, tanto da hist\u00f3ria mais erudita quanto mais popular da arquitetura portuguesa. Mas tamb\u00e9m se liga claramente a outras ra\u00edzes do conhecimento adquiridas por n\u00f3s e presentes na nossa vida. Transportamos uma carga e, ao mesmo tempo, as pessoas que usam a nossa arquitetura \u2013 a experimentam, a veem \u2013 tamb\u00e9m tem uma carga. Dessa forma, \u00e9 muito importante tentarmos perceber de qual maneira a nossa arquitetura pode despontar rea\u00e7\u00f5es, n\u00e3o apenas causadas por aquilo que \u00e9 a realidade proposta, mas de uma realidade que podemos intuir, fazer intuir nas pessoas, tornando essa viv\u00eancia mais abrangente. Percebemos tamb\u00e9m que a realidade cultural das pessoas nos edif\u00edcios n\u00e3o \u00e9 necessariamente a mesma e isto pode criar n\u00edveis diferentes de entendimento do projeto.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 58px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"manuel\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: px 0px 0px; width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/239a.jpg\" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/235a.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><h2>&#8220;A arquitetura desenha-se para construir, mesmo que n\u00e3o seja constru\u00edda de fato&#8221;<\/h2>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 20px 0 0 0;\"><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" ><div class=\"x-flexslider-shortcode-container with-container\"><div  class=\"x-flexslider x-flexslider-shortcode x-flexslider-shortcode-2\" data-x-element-slider=\"{&quot;animation&quot;:&quot;slide&quot;,&quot;reverse&quot;:false,&quot;slideTime&quot;:&quot;7000&quot;,&quot;slideSpeed&quot;:&quot;1000&quot;,&quot;controlNav&quot;:true,&quot;prevNextNav&quot;:true,&quot;slideshow&quot;:false,&quot;random&quot;:false,&quot;touch&quot;:true,&quot;pauseOnHover&quot;:false}\" style=\"padding-top: 65px; padding-right: 20px; padding-left: 20px; padding-bottom: 20px;\"><ul class=\"x-slides\"><li  class=\"x-slide\" >\n<p><strong>E a rela\u00e7\u00e3o da arquitetura portuguesa com certa austeridade e mod\u00e9stia?<\/strong><\/P><\/p>\n<p>A arquitetura portuguesa, historicamente, esteve sempre relacionada com essa ideia de austero e pragm\u00e1tico, por raz\u00f5es muito \u00f3bvias; n\u00e3o s\u00f3 econ\u00f4micas como tamb\u00e9m pela necessidade de uma constru\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. Uma arquitetura importante, por exemplo, foi feita nos p\u00f3s-descobrimentos, quando os portugueses tentavam cristianizar territ\u00f3rios colonizados. Havia a\u00ed sempre a ideia de construir com pragmatismo e com uma enorme rapidez.<\/P><\/li><li  class=\"x-slide\" >\n<p><strong>Isso est\u00e1 nos fundamentos da arquitetura brasileira inclusive.<\/strong><\/P><\/p>\n<p>Um dos territ\u00f3rios onde isto aconteceu foi no Brasil, mas \u00e9 anterior tamb\u00e9m. Aconteceu na \u00c1frica. Essa arquitetura trabalha sempre com limites muito claros, tanto econ\u00f4micos como tecnol\u00f3gicos. Uma li\u00e7\u00e3o que nos fica ent\u00e3o \u00e9 a necessidade pragm\u00e1tica de constru\u00e7\u00e3o. A arquitetura portuguesa transp\u00f4s isso para a modernidade, revisto por muitos arquitetos, sobretudo, racionalistas cr\u00edticos como Joaquim T\u00e1vora e \u00c1lvaro Siza. Algumas vezes a austeridade aparece mais como representa\u00e7\u00e3o, porque quando se construiu em Portugal, sempre se construiu com grande qualidade. \u00c9, portanto, uma predile\u00e7\u00e3o dessa austeridade e n\u00e3o necessariamente a austeridade em s\u00ed.<\/P><\/li><li  class=\"x-slide\" >\n<p><strong>Quase uma austeridade luxuosa<\/strong>.<\/P><\/p>\n<p>Sim. N\u00e3o diria que essa austeridade \u00e9 falsa, mas \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o da ideia dela. Quando n\u00f3s constru\u00edmos tudo em m\u00e1rmore \u2013 porque \u00e9 austero construirmos com um material s\u00f3 \u2013, \u00e9 dif\u00edcil dizer que somos realmente austeros com essa pedra quase preciosa. Mas algumas li\u00e7\u00f5es nos ficaram desse legado, como a import\u00e2ncia dada para a maneira como edificamos e ao <em>saber-fazer<\/em>. Gosto de pensar a arquitetura hoje n\u00e3o apenas a partir de obras constru\u00edda, porque h\u00e1 muitos projetos que admiramos, como a pr\u00f3pria casa Rothschild, que nunca foram feitos; mas, por outro lado, eu olho para os desenhos e percebo sempre quando foram desenhados para serem constru\u00eddos e isso diferencia a arquitetura: a arquitetura desenha-se para construir, mesmo que n\u00e3o seja constru\u00edda de fato. A nossa arquitetura portuguesa \u00e9 desenhada para ser constru\u00edda e isso \u00e9 um fato central na forma como pensamos.<\/p>\n<\/li><\/ul><\/div><\/div><\/div><div  class=\"x-column x-sm x-1-2\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\"  src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/75a.jpg\" ><div id=\"\" class=\"x-text none\" style=\"\" ><p style=\"text-align: center;\">Casa em Leiria de\u00a0Aires Mateus<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 60px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"manuel\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: px 0px 0px; width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/174-2a.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 45px 0 0 0;\"><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><div  class=\"x-columnize\" >\n<p><strong>A arquitetura portuguesa resistiu, mesmo que em partes, \u00e0 massifica\u00e7\u00e3o da globaliza\u00e7\u00e3o da arquitetura internacional. Seria quase uma arquitetura de resist\u00eancia?<\/strong><\/P><\/p>\n<p>Sim, mas quando aqui dizemos <em>\u2018a arquitetura portuguesa\u2019<\/em>, trata-se, na verdade, de um nicho da arquitetura portuguesa, da qual n\u00f3s quase poder\u00edamos dizer o nome dos autores, cinquenta ou cem arquitetos. Falamos ent\u00e3o de uma franja, ou at\u00e9 uma maneira de pensar, que \u00e9 mesmo uma resist\u00eancia. Essa franja influenciou, inclusive, n\u00edveis mais latos da arquitetura. \u00c9 curioso como o pr\u00f3prio Souto de Moura influenciou maneiras banais de constru\u00e7\u00e3o e isso talvez seja um dos maiores valores de suas obras. N\u00e3o apenas a influ\u00eancia sobre os arquitetos \u201csoutomourianos\u201d, impec\u00e1veis escultores do seu legado, como tamb\u00e9m a influ\u00eancia de suas ideias sobre uma arquitetura an\u00f4nima, a qual ainda busca nas propostas de Souto de Moura elevar sua qualidade. Esse \u00e9 um legado extraordin\u00e1rio. O Souto de Moura consegue, de maneira muito inteligente, manter, ao mesmo tempo, uma dist\u00e2ncia e uma proximidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Escola do Porto e ao Siza. Consegue ser um arquiteto regional, muito portugu\u00eas, mas tamb\u00e9m consegue incorporar uma grande internacionaliza\u00e7\u00e3o da arquitetura. Trata-se de uma pr\u00e1tica interessante entre o regionalismo e a transposi\u00e7\u00e3o. A arquitetura contempor\u00e2nea portuguesa percebe hoje que, para ter um lugar no mundo, h\u00e1 de dizer qual \u00e9 o dela.<\/P><\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acha que o Brasil poderia ser inclu\u00eddo nessa forma que culturas relativamente perif\u00e9ricas encontram para firmar seu lugar?<\/strong><\/P><\/p>\n<p>N\u00e3o acho que Brasil seja uma cultura relativamente perif\u00e9rica. A import\u00e2ncia das culturas depende muito da condi\u00e7\u00e3o e dimens\u00e3o do mercado, do poder econ\u00f4mico. O Brasil teria ent\u00e3o capacidade de se tornar representativos de uma \u00e1rea maior. Dou-te um exemplo: o sul da Europa \u00e9 representado por Sevilha. Barcelona hoje \u00e9 um centro cultural mais forte, Lisboa \u00e9 um centro cultural mais forte, Madri \u00e9 um centro cultural mais forte, todos s\u00e3o centros culturais mais fortes. Por\u00e9m, o que representa verdadeiramente a pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, quando nos afastamos? \u00c9 Sevilha. A cultura sevilhana consegue, de alguma maneira, sintetizar e potenciar as diferen\u00e7as de uma regi\u00e3o cultural, uma regi\u00e3o muito heterog\u00eanea. Um americano identifica em Sevilha toda a pen\u00ednsula ib\u00e9rica. Da mesma maneira que n\u00f3s, quando olhamos para a Am\u00e9rica do Sul, como cultura, provavelmente identificamos o Rio de Janeiro. Na Am\u00e9rica do Sul, encontro polos culturais extraordin\u00e1rios na Argentina ou no Chile, mas, essa cultura do Rio, seja ela at\u00e9 mais baiana do que carioca, tomou conta do imagin\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica do Sul. O Brasil \u00e9 a Am\u00e9rica do Sul, a uma determinada dist\u00e2ncia. A cultura brasileira n\u00e3o \u00e9 nada perif\u00e9rica, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 uma cultura muito central, porque ela \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o de uma cultura mais ampla do que a sua pr\u00f3pria.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"manuel\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: px 0px 0px; width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/15-3a.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 35px 0 0 0;\"><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><div  class=\"x-columnize\" >\n<p><strong>Qual \u00e9 a import\u00e2ncia do \u2018olhar estrangeiro\u2019 e interc\u00e2mbios culturais na pr\u00e1tica da arquitetura hoje?<\/strong><\/p>\n<p>Quando arquitetos estrangeiros trabalham no nosso contexto, eles tocam em tr\u00eas ou quatro pontos principais, sem amarras \u00e0s pequenas quest\u00f5es. Tra\u00e7am uma vis\u00e3o muito panor\u00e2mica da realidade e, portanto, atuam com liberdade. No fundo \u00e9 como sempre fazemos nos projetos. Quando arrancamos com um projeto, representamos a realidade de v\u00e1rias maneiras, fazemos cortes, plantas, maquetes do lugar e, portanto, representamos o lugar de muitas maneiras. Em contextos mais distantes, temos uma maior liberdade nesse sistema. \u00c9 interessante esta ideia de como as culturas se apresentam e o que \u00e9 determinante nisso.<\/p>\n<p><strong>As pr\u00f3prias representa\u00e7\u00f5es da arquitetura trazem algumas idiossincrasias locais que determinam os rumos do projeto. No Brasil, quase sempre, partimos do desenho em corte e \u00e9 comum que a maquete apare\u00e7a no \u00faltimo est\u00e1gio do processo projetivo.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s partimos do modelo e ele \u00e9 fundamental no processo. Trabalhamos sempre usando tr\u00eas representa\u00e7\u00f5es sobrepostas da arquitetura: por um lado, esquemas para garantir que o projeto n\u00e3o se desvie daquilo concebido; por outro, os desenhos construtivos, como os cortes, usados desde o in\u00edcio para estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o com os sistemas construtivos e com possibilidades econ\u00f4micas de execu\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, fazemos maquetes em escalas muito grandes em isopor de alta densidade. Trabalhamos na escala 1:20, fazendo com que qualquer casa seja um monstro e casa ocupe uma sala inteira. Mas, pra mim, isso \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas conseguem assim visualizar o espa\u00e7o?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, porque conseguimos entender os espa\u00e7os por dentro e isso nos alivia. Em 1:20 d\u00e1 pra ver tudo. Gostamos de imaginar a arquitetura sendo vista a partir do seu modo de vida, a partir do seu uso, a partir do espa\u00e7o interno, como se olh\u00e1ssemos para a arquitetura e diss\u00e9ssemos que aquilo n\u00e3o existe para o vento, mas sim para ser usado. Cada projeto dura muitos anos e, portanto, o processo mais dif\u00edcil \u00e9 fazer resistir um gesto em todas as fases do projeto. Usamos ent\u00e3o uma esp\u00e9cie de diagramas para garantir que n\u00e3o se perca o sentido primordial, com todas as sobreposi\u00e7\u00f5es ao longo do tempo. Temos sempre uma preocupa\u00e7\u00e3o construtiva e, desde o princ\u00edpio, \u00e9 importante conceber o projeto considerando sua executabilidade, inclusive econ\u00f4mica.<\/p>\n<p><strong>Como a obra de voc\u00eas transita entre as diferentes escalas? De projetos pequenos a grandes e de grandes a pequenos?<\/strong><\/p>\n<p>Dentro da nossa trajet\u00f3ria houve grandes mudan\u00e7as nas escalas. Nossos primeiros projetos foram feitos a partir da entrada de Portugal na Uni\u00e3o Europeia, quando ganhamos muitos concursos p\u00fablicos para desenho de equipamentos. Em certo momento percebemos que dev\u00edamos controlar coisas de forma mais segura. Como uma coincid\u00eancia, come\u00e7amos ent\u00e3o a trabalhar diretamente com projetos em escalas muito pequenas, em especial a escala dom\u00e9stica, a casa individual. \u00a0Isso nos permitiu fazer interven\u00e7\u00f5es mais profundas, come\u00e7ando pela Casa do Alenquer, Casa em Azeit\u00e3o e Casa dos Molitos \u2013 nossas tr\u00eas primeiras resid\u00eancias feitas com maior profundidade. S\u00f3 mais recentemente come\u00e7amos a tentar chegar onde chegamos nos projetos pequenos, em projeto maiores.<\/p>\n<p><strong>Qual que \u00e9 a diferen\u00e7a entre projetar uma casa e uma cidade?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 muita. A capacidade do arquiteto \u00e9 sempre fundamental. Todos sabem o que \u00e9 uma casa. N\u00e3o h\u00e1 coisa mais \u00f3bvia. Essa \u00e9 a vantagem da casa. Algo simp\u00e1tico acontece ent\u00e3o nesse programa: os clientes se interessam mais. O presidente de uma empresa n\u00e3o se interessa tanto pela sede da sua empresa como se interessa pela sua casa.<\/p>\n<\/div><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><\/div><\/div><\/div><div id=\"manuel\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: px 0px 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/AIRES_MATEUS_CASA_AREIA_240110_1045_a.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"index\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: #ffffff;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 50px 0 0 0;\"><\/div><\/div><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><div  class=\"x-columnize\" >\n<p><strong>Como foi o processo discuss\u00e3o com o cliente no projeto da casa com piso de areia, a Casa de Comportas? <\/strong><\/p>\n<p>Aquela casa nasceu do estudo de tr\u00eas rela\u00e7\u00f5es diferentes com o tempo. Uma delas \u00e9 a raiz da arquitetura popular, sobretudo das casas de madeira da regi\u00e3o. Havia tamb\u00e9m segunda rela\u00e7\u00e3o com o tempo: essas casas todas eram orientadas ao contr\u00e1rio, viradas para o nascente porque abrigavam trabalhadores do campo e, obviamente, essas pessoas repudiam a luz do sol. Agora temos a rela\u00e7\u00e3o com o tempo que passa a ser tur\u00edstica e, assim, busca-se o sol, mudando a orienta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata mais de fugir do sol, mas procurar ele. A terceira rela\u00e7\u00e3o com o tempo \u00e9 um abrandamento e a\u00ed entra o piso de areia. A ideia nasceu quando visitei uma exposi\u00e7\u00e3o do Cildo Meireles na Tate Modern, em Londres. Havia uma pe\u00e7a do Cildo muito bonita, na qual era poss\u00edvel entrar e andar em cima de um p\u00f3 de talco. N\u00f3s j\u00e1 est\u00e1vamos trabalhando na casa e quando eu meti os p\u00e9s e avancei no portal pensei: \u201cn\u00e3o existe isso!\u201d. O cliente est\u00e1 aqui no escrit\u00f3rio hoje. Se quiser eu o apresento.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 usar o piso de areia l\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Rodrigues:<\/strong> \u00c9 fant\u00e1stico, porque obriga a pessoa a acalmar. Uma coisa \u00e9 a pessoa andar aqui em cima do cimento, demora um segundo pra chegar, mas na areia demora mais tempo. Ent\u00e3o obriga um outro ritmo de vida muito importante tamb\u00e9m. N\u00e3o \u00e9 uma casa de cidade, \u00e9 uma casa de f\u00e9rias, praia, onde n\u00f3s idealmente gostar\u00edamos de nos desligarmos daquela velocidade citadina, para ter um ritmo e um mood de praia. Isso acontece tamb\u00e9m com a ajuda da areia, porque a areia obriga-nos a parar, andar mais devagar, acalmar, pensar nas coisas antes de fazer. \u00c9 um ambiente que liga perfeitamente com a parte exterior.<\/p>\n<p><strong>Maniel Aires Mateus: <\/strong>H\u00e1 uma caixa de madeira e cimento, por baixo da areia, uma base, e tamb\u00e9m aquecimento. No inverno a areia \u00e9 quente.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 algo similar na Sinagoga Portuguesa de Amsterdam, do s\u00e9culo 17: um piso de areia sobre um piso de madeira. Por causa do som, para n\u00e3o incomodar os servi\u00e7os, eles colocavam areia. <\/strong>N<strong>ormalmente, no entanto, \u00e9 uma camada muito fina.<\/strong><\/p>\n<p><\/strong>Manuel Aires Mateus: <\/strong>Eu n\u00e3o sabia disso. Precisava ir l\u00e1 um dia. Sem eletricidade, sem essas coisas, a areia \u00e9 muito f\u00e1cil de manter: quando suja sua casa, derruba um copo de vinho, por exemplo, mete-se uma p\u00e1 e jogamos a areia fora. Cava fora, coloca-se dentro; t\u00e1 feito. N\u00e3o tem manuten\u00e7\u00e3o. \u00a0De manh\u00e3, o ar penteia a areia, e isso \u00e9 tamb\u00e9m bonito. Eu fui l\u00e1 este ano com os meus filhos, e a primeira coisa que os meninos fazem \u00e9 brincar na areia com como se estivessem no meio da praia. \u00c9 uma grande coragem aqui do Jo\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Rodrigues: <\/strong>N\u00e3o \u00e9 coragem, \u00e9 confian\u00e7a. Na equipe, no arquiteto, em tudo.<\/p>\n<p><strong>Pisamos sempre em solos muito s\u00f3lidos. Como em casas sobre palafitas de madeira, a areia pode criar a sensa\u00e7\u00e3o de flutua\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea n\u00e3o pisa num lugar t\u00e3o s\u00f3lido.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Manuel Aires Mateus: <\/strong>Temos que tentar perceber as experi\u00eancias de vida, conseguindo combinar coisas da nossa mem\u00f3ria. N\u00e3o h\u00e1 nada novo ali. \u00c9 tudo banal. A areia n\u00f3s conhecemos da praia, a arquitetura tradicional t\u00e1 l\u00e1. N\u00f3s sabemos construir e adaptar essa arquitetura tradicional a um grau de conforto existente hoje. No fundo \u00e9 dizer: \u201cent\u00e3o se juntem\u201d. No ver\u00e3o, dei com um grupo de crian\u00e7as na praia, e eles vieram me mostrar que tinham feito tamb\u00e9m uma casa na praia. Meteram uns paus na praia e estavam todos a brincar com aquilo. N\u00e3o entendiam porque todo mundo achava interessante fazer uma casa na areia, era banal\u00edssimo: elas pr\u00f3prias conseguiam fazer aquilo num instante. Achei isso divertido, e, no fundo, \u00e9 verdade, n\u00e3o h\u00e1 nada inovador em fazer uma casa na areia, qualquer pessoa consegue faze-la com uma grande facilidade.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><div id=\"manuel\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 0px 0px 45px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container\" style=\"margin: 0px auto; padding: px 0px 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><img  class=\"x-img x-img-none\" style=\"width: 100%; padding: 0px 0px 0px 0px !important;\" src=\"https:\/\/revistacentro.org\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/AIRES_AMTEUS_CASA_AREIA_230110_0002_230110_0293_a.jpg\" ><\/div><\/div><\/div><div id=\"x-section-15\" class=\"x-section\" style=\"margin: 0px; padding: 45px 0px;  background-color: transparent;\" ><div id=\"\" class=\"x-container max width\" style=\"margin: 0px auto; padding: 0px; \" ><div  class=\"x-column x-sm x-1-1\" style=\"padding: 0px; \" ><hr  class=\"x-gap\" style=\"margin: 80px 0 0 0;\"><div id=\"\" class=\"x-text\" style=\"\" ><h6>Manuel Aires Mateus,<\/h6>\n<p>\narquiteto portugu\u00eas com escrit\u00f3rio em Lisboa e obras em pa\u00edses como Argentina e Su\u00ed\u00e7a, entre outros.<\/p>\n<\/p>\n<h6>Gabriel Kogan,<\/h6>\n<p>\narquiteto formado pela FAU\/USP; trabalha como jornalista colaborando para ve\u00edculos como a <em>Folha de S.Paulo<\/em>, A+U (Jap\u00e3o) e <em>Revista Bamboo<\/em>.<\/p>\n<\/p>\n<h6>Renata Mori,<\/h6>\n<p>\narquiteta formada pela FAU\/USP e trabalha na Metro Arquitetos.<\/p>\n<\/p>\n<h6>Fernando Guerra,<\/h6>\n<p>\nfotografo portugu\u00eas especializado em arquitetura.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":1838,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"template-blank-4.php","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1090"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1090"}],"version-history":[{"count":61,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1090\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2669,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1090\/revisions\/2669"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1838"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacentro.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1090"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}